Conexão Japão: Entre a mudança e o status quo

O resultado da votação interna do PLD será anunciado na noite da próxima segunda-feira, dia 14. O vencedor será nomeado primeiro-ministro

Onze dias após a renúncia de Shinzo Abe ao cargo de presidente do Partido Liberal Democrata (PLD, Jiminto) e, consequentemente, ao posto de primeiro-ministro do Japão, três candidatos estão em plena campanha para as eleições dentro do partido governista. Os políticos veteranos Yoshihide Suga, Fumio Kishida e Shigeru Ishiba oficializaram suas candidaturas na manhã de segunda-feira, dia 8. O resultado da votação interna do PLD será anunciado na noite da próxima segunda-feira, dia 14. O vencedor será nomeado primeiro-ministro, devido à majoritariedade do Jiminto nas duas câmaras.

Yoshihide Suga, 71, secretário chefe do gabinete de Abe, lidera a corrida, com apoio de todas as facções do partido, exceto as lideradas por Ishiba e Kishida. Durante sete anos e oito meses, Suga foi o segundo maior líder do governo e porta-voz de Abe em momentos de crise, como nos desastres naturais: a exemplo do terremoto em Kumamoto, na ilha Kyushu; dos alagamentos devido às chuvas no nordeste e no oeste da ilha principal, Honshu; da conscientização sobre as ondas de calor nas regiões metropolitanas; e do combate e prevenção à epidemia de Covid-19. 

Devido ao caráter conservador da política japonesa, a ascensão de Suga ao cargo de primeiro-ministro é o cenário mais provável. Significaria a manutenção do maior legado do governo Abe, o plano Abenomics de combate à deflação, com menor controle sobre o preço do dólar e outras moedas, disciplina fiscal (traduzida no aumento do imposto sobre consumo) e reformas estruturais, como expansão de acordos comerciais, aumento da competitividade das empresas nacionais e reforma de mercados de trabalho.

O principal adversário de Suga é o ex-ministro das Relações Exteriores Fumio Kishida, 73, que esteve no cargo de 2012 a 2017. Membro da casa dos representantes, Kishida também foi ministro de estado para Okinawa durante o governo de Yasuo Fukuda, entre 2007 e 2008. Apelidado pela mídia local de “príncipe”, ele afirma querer ser um líder que escuta o povo e que pode mostrar força na área econômica e na política externa. E promete trabalhar para diminuir as disparidades sociais e ajudar a classe média, diminuindo o custo da educação e facilitando acesso à compra de casa própria, informa o jornal Asahi Shimbun.

Os membros do Jiminto ainda têm a opção de escolher Shigeru Ishiba, 61, o mais popular entre os três concorrentes. Ishiba fala sobre a construção de “um novo Japão”, sobre os pilares de um ministério exclusivo para lidar com desastres naturais, foco no entendimento profundo sobre a região da Ásia e descentralização do poder em Tóquio, para revigorar a economia e o estilo de vida de outras regiões do Japão.

Ishiba está no seu décimo primeiro mandato como membro da casa dos representantes, a câmara baixa da dieta nacional, representando a província de Tottori. No governo de Shinzo Abe, Ishiba foi ministro para a superação do declínio populacional e revitalização da economia, ministro de estado para zonas nacionais estratégicas, secretário geral do partido, ministro da agricultura e ministro da defesa.

 

Sobre o autor - Yukio Spinosa é jornalista, intérprete, tradutor e consultor para prospecção de produtos da Indústria Japonesa. Ele escreve na coluna Conexão, do jornal impresso A Tribuna, quinzenalmente.

 

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