Conexão Japão: Coronavírus coloca em risco Olimpíadas em Tóquio

O primeiro-ministro afirmou que os Jogos Olímpicos de Verão serão realizados no mês de julho. No entanto, isso pode mudar

A repatriação de cidadãos infectados com a nova forma do coronavírus – doença pulmonar letal e ainda pouco conhecida, originada no centro da China e que abala a economia em âmbito global – transformou o Japão no terceiro país com maior número de infectados, se incluirmos o cruzeiro Diamond Princess, ancorado no Porto de Yokohama. 

Nessa quinta-feira, o governo ordenou a interrupção temporária das aulas em todas escolas do país, a partir da próxima segunda-feira e até o início de abril. No mesmo anúncio, o primeiro-ministro afirmou que os Jogos Olímpicos de Verão serão realizados no mês de julho. No entanto, isso pode mudar. 

“Estamos ainda absolutamente indo para a abertura dos jogos no dia 24 de julho”, disse o porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI) na quarta-feira. Mas ele adicionou que a organização está monitorando a situação, juntamente com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os governo da China e do Japão. 

De acordo com Dick Pond, um membro sênior do COI, em entrevista ao jornal Financial Times, na pior das hipóteses, o maior evento esportivo do mundo deve ser cancelado e não reagendado. 

O coronavírus começa a ser comparado à gripe espanhola, que dizimou 55 milhões de pessoas em todos os continentes, mesmo em países isolados, como a Ilha de Tonga, no  Pacífico.

De acordo com Pond, as autoridades têm até o final de maio para decidir pela continuação ou cancelamento do jogos. No momento, o esvaziamento das arquibancadas é algo com que a organização e os patrocinadores terão de lidar. 

Na preparação para as Olimpíadas, a saúde pública do Japão estava, até então, focada na prevenção de sarampo, rubéola, envenenamento alimentar e doenças sexualmente transmissíveis. Uma nova doença, como o coronavírus, não estava em seus cálculos. No entanto, o chefe do gabinete do governo, Yoshihide Suga, afirma que as preparações para os jogos prosseguem como planejado, acrescentando que a tocha olímpica iniciará sua jornada até o Japão a partir de março, de acordo com a agenda.

Surtos de pânico começam a surgir, principalmente em locais de concentração, como transportes públicos. Na noite do dia 18, um passageiro do metrô de Fukuoka acionou o botão de emergência após alguém tossir sem máscara. Em Tóquio, uma professora do ensino médio está sendo acusada de negligência, por continuar lecionando durante uma semana, mesmo com febre alta. Posteriormente, ela foi diagnosticada com o coronavírus.

Na Coreia do Sul, uma igreja de culto cristão se transformou no principal agrupamento de infectados pelo vírus. Lee Man Hee, o líder da seita, afirma ser a reencarnação de Jesus Cristo e convence cerca de 200 pessoas a continuar frequentando o culto, mesmo os doentes. Metade dos casos de infecção pelo coronavírus (Covid-19) naquele país tem relação com os fiéis da igreja de Cristo de Shincheonji, na cidade de Daegu.

Até o fechamento desta edição, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem Estar do Japão confirmava 207 casos, quatro mortes, 32 recuperados e 13 em estado crítico. Dentro do Diamond Princess há 705 infectados, quatro mortes, 10 casos de recuperação e 36 pacientes em estado crítico.

Há exatamente uma semana, em 21 de fevereiro, 49 enfermos foram retirados do navio com destino ao centro de tratamento do hospital universitário Fujita, na cidade de Okazaki, na província de Aichi. A medida amedrontou a população local, que lamenta sua sorte. No entanto, as pesquisas realizadas neste centro médico podem levar à descoberta de uma vacina para combater a epidemia que já se espalha por 50 países, incluindo o Brasil.

 

Sobre o autor

Yukio Spinosa é jornalista, intérprete, tradutor e consultor para prospecção de produtos da indústria japonesa. Ele escreve quinzenalmente, às sextas-feiras, para o Conexão Japão - do Jornal A Tribuna.

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