Conexão Japão: A vacina “made in Japan”

Existe grande expectativa que esta tecnologia seja aperfeiçoada e autorizada até antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para Julho de 2021

“Sem vacinas e drogas terapêuticas, é impossível voltar à atividade econômica normal. Mesmo que 80% dos infectados sejam assintomáticos, os restantes 15% apresentam sintomas moderados e 5%, severos. Quando uma vacinação é praticada, a taxa de casos severos é reduzida para 1% e a ameaça estará consideravelmente neutralizada”. 

A cultura corporativa de compromisso com a qualidade, a já conhecida filosofia manufatureira e, acima de tudo, o zelo pela reputação que goza a indústria japonesa seriam de grande valia para apresentar, às nações do planeta, uma vacina japonesa contra a doença causada pelo coronavírus. 

Ryuichi Morishita, professor de Medicina na Universidade de Osaka, explica, acima, a urgência pela imunização. Fundador da AnGes MG Inc., uma das empresas de biotecnologia que fazem pesquisa e desenvolvem uma vacina para a covid-19, ele explica que, atualmente, existem dois tipos de estratégia para criar o produto. Em uma delas, o vírus é multiplicado em ovos fertilizados, a chamada vacina viva, na qual o vírus é atenuado, mas ainda capaz de infectar e multiplicar-se no organismo, sem provocar uma doença clínica. 

A outra forma utiliza informação genética, como as plasmidas de DNA. A vacina de DNA inocula um gene circular, chamado plasmida, que produz a proteína do vírus, fortalecendo a imunidade do organismo humano com menor risco de efeitos colaterais. 

O professor afirma ser ineficaz pensar no coronavírus como arma biológica. Mas, de acordo com suas fontes virologistas, a origem da pandemia foi uma pesquisa feita em laboratório em Wuhan, na China, onde este formato da SARS era classificado como “inofensivo”. Há mais de 20 vacinas sendo submetidas a testes clínicos, ao redor do mundo. 

Existe grande expectativa que esta tecnologia seja aperfeiçoada e autorizada até antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados para Julho de 2021.

Competindo pela produção de uma vacina eficaz e inofensiva para a saúde, a AstraZeneca, do Reino Unido, iniciou seus testes clínicos em junho. A Sinopharm e a Sinovac, da China, a Biontech, da Alemanha e a Moderna, dos EUA, realizaram em julho a terceira fase de testes. O próximo passo são experiências em grande escala, objetivando registrar de 30 mil a 40 mil testes da nova vacina. Os laboratórios tentam expandir sua rede de pesquisa para áreas endêmicas como América Latina e África, publicou a revista científica Chemical Daily, neste mês.

A empresa farmacêutica americana Pfizer anunciou, na última semana, que 160 japoneses com idade entre 20 e 85 anos serão submetidos a testes. 

Enquanto isso, a Rússia realiza o primeiro teste em 100 indianos voluntários. O país aprovou a vacina, mas não ganhou o aval da Organização Mundial de Saúde. A China, que ora teve seu produto rejeitado pelo governo do Brasil, tem os únicos laboratórios que conseguiram inocular o coronavírus em ovos de aves. O desenvolvimento da vacina japonesa só deve chegar ao estágio avançado de testes no início do ano que vem.

Na primeira metade do século 20, o Japão estava na vanguarda do desenvolvimento de vacinas. Shibasaburo Kitasato, considerado o criador da medicina japonesa moderna, teve êxito na cultura da Clostridium tetani, a bactéria do tétano, conseguindo estabelecer o tratamento com soro. Sua pesquisa levou à concepção de diversas imunizações. Nas instalações da Universidade de Osaka, nasceu o grupo Biken, que criou a primeira vacina contra a varicela.

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