Conexão França: Tudo certo e quase nada resolvido

Comércio será reaberto a partir do dia 11, menos bares, cafés e restaurantes, o lado charmoso do país

A data do fim do confinamento está marcada para o dia 11 de maio, porém, ainda pouco se sabe sobre como ele será posto em prática. Muitas hipóteses e até agora poucas respostas concretas. Estas reveladas à conta gotas pelo governo ao longo desta ùltima semana.

A única certitude é que nada será como antes, como precisou o primeiro ministro francês Edouard Philippe. 

Até o fechamento desta edição, a França havia registrado 21.856 mortes, sendo o terceiro país com maior número de vítimas fatais na Europa. No entanto, o confinamento mostrou sua eficácia: 60 mil mortes foram evitadas graças ao isolamento social em massa, segundo um estudo da Escola Francesa de Saúde Pública.

A pesquisa também revelou que o número de internações teria sido 7 vezes maior se não houvesse a quarentena. O confinamento obrigatório foi imposto na França no dia 17 de março. Desde então, só pode se sair para realizar atividades essenciais e com um atestado preenchido. Caso as regras sejam descumpridas o cidadão está sujeito à uma multa de 135 euros. 

Ao que tudo indica, o desconfinamento será feito de maneira progressiva no território francês. A prudência é necessária já que, segundo Instituto Pasteur, apenas 6% da população terá sido contaminada até o fim do confinamento. Ou seja, bem longe dos 70% estimado para se obter uma imunidade coletiva. Então, como ainda não temos uma vacina, todo o cuidado é pouco para evitar uma segunda onda da epidemia. 

Para recuperar a economia foi anunciado que o comércio será totalmente reaberto a partir do dia 11. No entanto, no país dos grandes chefs, da gastronomia e dos charmosos cafés; os bares e restaurantes permanecerão fechados. O setor que representa cerca de 40 mil empresas no país ainda não tem previsão de retorno às atividades.

Para os demais trabalhadores, o governo solicita que o home-office continue a ser privilegiado. Já as aulas retornarão entre os dias 11 e 25 de maio, iniciando, progressivamente, com os mais jovens. Já os cursos universitários só retornarão em setembro, que é o início do ano letivo europeu. 

Nos transportes, será instaurada a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção. Porém, ainda pouco se sabe sobre uma possível distribuição das mesmas pelo governo, assim como a fiscalização desta medida. Outra preocupação é a lotação nos transportes públicos.

Por enquanto, o governo solicita que as empresas prevejam horários alternados entre seus funcionários. No entanto, apenas esta medida não seria suficiente para evitar a aglomeração nos transportes públicos. 

Outra anúncio é a adaptação do desconfinamento conforme a dinâmica do vírus nos diferentes territórios. Isto porque há uma grande disparidade na taxa de infeção; na Ilha de França, onde fica Paris, por exemplo estima-se que 12% da população tenha sido infectada; enquanto esta taxa é de 1, 4% em Nova Aquitânia, no Sudoeste Francês. No entanto, ainda não se sabe como esta diferenciação será aplicada.

Enquanto isso, o sol volta a brilhar.

A primavera chegou afugentando com seus raios de sol o céu cinza e o frio rigoroso do inverno europeu. Geralmente, aos primeiros sinais de aumento na temperatura, o franceses correm para as ruas para aproveitar do bom tempo. E, nestas últimas duas semanas, em que os termômetros chegaram a marcar 25 graus, não foi diferente. Não dá para afirmar que os franceses estejam descumprindo as regras, afinal, “caminhar” figura entre as cláusulas que permitem a saída - contanto que seja feita à proximidade de casa, uma única vez ao dia e no máximo durante uma hora. De qualquer forma, a polícia continua a controlar e até o último dia 19, haviam sido registradas mais de 800 mil infrações. 

Continuamos esperando que o sol volte a brilhar em nossas vidas, desta vez em sua forma metafórica.

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