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Segunda-feira

10 de Agosto de 2020

Conexão Espanha: Há algo de podre no Reino da Espanha!

Esquerda chega ao poder com planos radicais

Tomo emprestada a famosa frase de Shakespeare, usada em Hamlet, substituindo Dinamarca por Espanha, porque a situação atual do magnífico país ibérico não é nada alentadora. Em verdade, é muito desalentadora!

Voltei à Espanha cerca de sete meses depois da última estada, para mais um intenso período de estudos de pós-graduação em Direito na famosa Universidade de Salamanca, a quarta mais antiga do mundo, com seus quase 802 anos de existência.

Da última vez que aqui estive, havia otimismo no ar porque o povo escolheu um parlamento de centro-direita e as coisas pareciam caminhar bem. Mas disputas fratricidas entre os parlamentares das legendas vencedoras e problemas econômico-administrativos reviveram os fantasmas do populismo e a Esquerda, com uma manobra eleitoral bem articulada, fazendo uso inteligente da dinâmica parlamentarista, chegou ao Poder e formou o governo, que iniciou neste mês sua gestão.

Não uma Esquerda qualquer, mas radical, fundamentalista, altamente ideologizada, quase revolucionária, marxista-leninista. Uma Esquerda que, mais do que as outras, anda na contramão da história e promete se pautar pelo patrulhamento ideológico, pelas perseguições políticas, pela iconoclastia social. O governo é composto pelo Partido Comunista e outras legendas da “Esquerda Furiosa”, manifestamente separatista, republicana, anticristã e contra tudo o que tem conteúdo histórico-tradicional. 

Mal cheguei e pude notar que enorme parte do povo está descontente com os rumos que promete tomar o novo Governo. E expõe publicamente seu descontentamento e sua preocupação com a defesa da monarquia, da unidade nacional, da economia de mercado, livre das garras do Estado, dos valores fundamentais da família e, sim, da identidade cristã do país. 

Milhares de espanhóis foram às ruas recentemente para defender a liberdade, a união, a economia livre e tudo aquilo que lhes é mais caro e importante.

Constatei pelos jornais e noticiários, no que fui ajudado por amiga que mora há muito tempo na Espanha, Fortunatta Del Orso (a quem agradeço), que antes mesmo de iniciar sua gestão, o Governo já havia assinalado pelo aumento indiscriminado de cargos e funções públicos, pela facilitação inescrupulosa das regras e dos procedimentos para o aborto e da proibição da presença de sacerdotes, capelães, nos hospitais públicos, impedindo aos doentes a tão necessária assistência religiosa.

Um dos membros do governo chegou a rebaixar a Igreja Católica, a grande fundadora da Espanha, à condição vulgar e indigna de uma seita qualquer. 

Já faz tempo que a fé católica é, mais do que outras, hostilizada em boa parte da Europa, mas o que ora se vê por parte do novo governo espanhol é uma perseguição sem precedentes.

Mesmo os espanhóis não religiosos ou não católicos, mas de boa vontade e retos em suas posturas, estão preocupados com o estágio atual da política, pois temem o retorno do populismo, do Estado inchado, pesado, ineficiente, das más práticas políticas, do colapso da economia e, com ela, a volta do desemprego e do ambiente desfavorável aos negócios e ao empreendedorismo. 

O Reino da Espanha é forte, é belo, é histórico, foi um dos maiores impérios de todos os tempos, nasceu sob o signo da Cruz e iluminado pela Verdade. Por isso, embora haja de fato algo podre a ferir seu atual tecido social, certamente tudo superará e continuará a ser um dos países mais importantes do mundo, dono de grandes universidades, centros de cultura, empresas transnacionais e um povo orgulhoso e muito trabalhador, um povo que não sucumbiu por completo aos males da reengenharia social contemporânea, do marxismo cultural e da ditadura do relativismo moral.

Sobre o autor

Paulo Henrique Cremoneze é advogado e escreve na coluna Conexão quinzenalmente, às quintas-feiras.

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