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Quarta-feira

18 de Setembro de 2019

Conexão Austrália: Melhores cidades para viver

Nesta edição da coluna, Fabiana Marinelo comenta sobre a lista que colocou três cidades do país no ranking das melhores do mundo para se viver

Se a ideia fosse falar do impacto do Brasil aqui nas terras australianas, com certeza a coluna desta semana seria sobre algum assunto áspero: agressão, homofobia, censura, desrespeito, falta de educação do primeiro escalão do governo. O fato é que se há algo positivo sobre o Brasil, o tema não chega por aqui, abafado por um enxame de más notícias e posturas.

Então, na coluna desta quinzena vou focar em algo positivo sobre a Austrália. O país listou nada menos que três cidades no ranking das melhores do mundo para se viver. E, claro, a pesquisa reforça alguns dos motivos que fazem muita gente, como eu, amar viver nesta parte do mundo.  

Os países com mais cidades no “top 10” são Austrália e Canadá, com três representantes cada um. Melbourne tem a melhor posição entre as cidades australianas pelo nono ano consecutivo. Sydney é considerada a terceira melhor cidade para se viver e Adelaide é a décima.

O estudo, realizado pela revista The Economist, analisou 150 cidades do mundo com base no conceito de habitabilidade, ou seja, as melhores ou piores condições de vida oferecidas aos seus habitantes. A pesquisa destaca os melhores lugares para morar e fazer negócios. A cidade mais maravilhosa do mundo é Viena, na Áustria. O Brasil não ranqueou nenhuma localidade, nem nas melhores para se viver, mas também não nas piores.

A presença de tantas cidades australianas no ranking não causa surpresa para quem mora aqui. A notícia foi celebrada pelos australianos no twitter e demais redes sociais, mas sem muito alvoroço. Afinal, as pessoas já se acostumam com o que é bom. Dentre as vantagens que fazem as cidades pontuarem tão alto em qualidade de vida são facilidades simples e básicas como bom transporte, acesso à educação, entretenimento e saúde. E, claro, segurança. Outro motivo apontado pela revista no caso de Sydney, por exemplo, foi o aumento do investimento em cultura e ações ligadas ao meio ambiente.

A cidade está muito antenada às questões ligadas à mudança de clima e esta preocupação com a natureza recebe o apoio de grande parte da população, que acaba pressionando o governo por ações como a limpeza urbana e reciclagem. O funcionamento da questão ambiental por aqui é uma pequena parcela de como a cidade e seus habitantes se comportam. A pressão exercida para o meio ambiente também ocorre em outras áreas da sociedade, gerando um ciclo virtuoso de pressão da população e entrega de ações pelo governo.

O estudo avaliou 30 indicadores de qualidade de vida, organizados em cinco categorias: cultura e ambiente e estabilidade, com peso de 25% cada; saúde e infraestrutura com peso de 20% e educação, com 10%. Cada categoria foi classificada em níveis, do aceitável ao indesejável. Apenas 0.7 pontos separam Viena de Melbourne. Sydney recebeu 98.1 pontos. Outras duas cidades australianas aparecem no ranking: Perth, em 14 lugar, e Brisbane 18 lugar.

A análise acaba deixando de fora grandes metrópoles, como Nova York, Londres e Paris. O entendimento é que cidades muito populosas acabam deixando de favorecer os seus habitantes. O ideal é entre 300 mil a 1 milhão de habitantes.