Profissão de bibliotecário é turbinada pela tecnologia

No Dia do Bibliotecário, confira como a carreira mudou ao longo dos anos e, hoje, oferece diversas oportunidades

Um cidadão enfiado entre livros empoeirados, equilibrando os óculos na ponta do nariz e sempre pronto para pedir silêncio. Se essa é a imagem que vem à mente quando se fala em bibliotecário, é melhor realizar uma atualização no sistema. 

A atividade de fato é antiga. E desde que as civilizações passaram e organizar o conhecimento em papel, a figura de alguém que ajudasse a preservar, organizar e facilitar o acesso a esse saber se fez necessária. No entanto, com a chegada da tecnologia muitas pessoas apostaram no fim da profissão. Erraram. A verdade é que o mundo digital ajudou a turbinar a carreira. 

“As tecnologias de informação e comunicação permitiram que as atividades de organização e estruturação da informação desenvolvidas pelos bibliotecários há décadas pudessem ser disponibilizadas de forma mais abrangente nos catálogos online, nas bases de dados e nos sistemas interconectados na internet”, explica Cibele Araújo Camargo Marques dos Santos, professora do curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de São Paulo (USP). 

Segundo ela, os metadados (informações sobre os próprios dados) e sistemas padronizados com os quais a biblioteconomia trabalha representam os documentos e conteúdos que podem ser localizados com facilidade pelos buscadores, melhorando a recuperação e aprimorando os serviços de informação, além da experiência do usuário.

Link

Tiago Rodrigo Marçal Murakami, 39 anos, sabe bem sobre essa ponte que se estabeleceu entre a profissão e a tecnologia. Ele se formou em Biblioteconomia em 2006. Mas, incialmente, a vontade era mesmo de fazer Computação. “Vindo de escola pública, achei que não iria passar em um curso tão concorrido na USP e fui em busca de outras opções”. E achou a de bibliotecário.

Ele , que já trabalhou em bibliotecas digitais, atua hoje na Biblioteca da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP). “Eu brinco que muitas pessoas dizem que tem tudo na internet. Mas ninguém se pergunta quem colocou tudo isso lá”. Para ele, tem muito do trabalho do bibliotecário no conteúdo digital: desde a organização do acervo digital de bibliotecas e jornais até a disponibilização sobre fontes confiáveis. 

Hoje, Tiago conhece bibliotecários que trabalham no e-commerce, classificando e organizando informações e ajudando a melhorar a experiência do usuário. E também nos arquivos de mídia ou com big data em empresas que lidam com volume grande de dados. “São várias atuações. Sem nunca menosprezar as bibliotecas escolares e de universidade que é onde ajudamos a formar cidadãos mais críticos”. 

E é nessa área que está Angela Maria Monteiro Barbosa. Formada em 1989 pela Universidade Federal da Paraíba, ela é bibliotecária na Biblioteca Central da Unimes, mas já atuou em bibliotecas escolares e também da Fundação de Arquivo e Memória de Santos (FAMS). 

“Hoje, eu não trabalho mais com fichas e catálogos. O computador nos ajuda nesta gestão. E mesmo com o sistema de busca digital, a classificação de códigos precisa ser feita por nós. Mas mais do isso, continuamos dando sugestões, aconselhando as pessoas”. 

Angela que sempre gostou de ler entende que a sua profissão, seja usando livros impressos no papel ou e-books, tem uma missão: desenvolver educacional e culturalmente os cidadãos, auxiliando todos a buscar e encontrar conhecimento. 

Mercado

Segundo a Catho, empresa especializada em anúncio de vagas de emprego, o bibliotecário tem como funções a análise, o controle e a organização de acervos, desde livros até o conteúdo on-line, entre outros. Assim, o perfil analítico e organizador se destaca. Porém, é crucial que o profissional busque aperfeiçoamento na área de tecnologia . 

A faixa salarial do técnico em Biblioteconomia é, em média, cerca R$ 2.500,00, de acordo com a Catho. Já o teto salarial fica em torno de R$ 6.650,00, levando em conta profissionais com carteira assinada em regime CLT. 

Tudo sobre: