[[legacy_image_111646]] O cinema russo passou por muitas mudanças nas últimas décadas. Entre a mistura equilibrada de grande herança cultural e histórica com tendências modernas do cinema, o legado russo no audiovisual é celebrado no 2º Festival de Cinema Russo, disponível até hoje com sessões on-line gratuitas pelo Spcine Play. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Ao todo, oito filmes de diferentes gêneros seguem em cartaz no evento. Transitando entre ficções e documentários, as produções destacam a pluralidade do cinema russo e seus novos formatos, posicionando a indústria do país no roteiro cinematográfico mundial. O Festival de Cinema Russo é organizado pela Roskino, órgão estatal do país que representa a indústria russa de conteúdo audiovisual em mercados internacionais. A instituição é responsável pela organização do projeto no exterior, e aconteceu em vários países, como Austrália, México, Espanha e Brasil, desde a sua primeira edição. Conheça alguns destaques do festival. Masha (2020), de Anastasiya Palchikova O drama autobiográfico de Anastasiya Palchikova dá frescor às histórias de gangsters a partir de um ponto de vista feminino. Na trama, Masha é uma menina de 13 anos que enfrenta as turbulências da adolescência em um lar cercado por violência. Seus amigos mais próximos e familiares são membros de uma gangue, turbulência que conduz a garota, que sonha em ser cantora de jazz, aos caminhos mais sombrios ao longo de sua vida. Além de uma bela execução, o filme conta com a excelente técnica da protagonista Polina Gukhman, que dá um show de atuação em uma personagem intensa, com múltiplas camadas e uma personalidade irresistível. Luta (2019), de Maksim ArbugaevEste documentário trata do futebol paralímpico, acompanhando a preparação da seleção russa paralímpica de futebol para cegos em sua jornada ao Campeonato Europeu. Entre depoimentos dos jogadores, técnicos do time e demais profissionais da equipe, é traçada uma narrativa interessante e sensível, que enaltece a dedicação e conquistas desse grupo muito carismático de atletas. Na Ponta (2020), de Eduard BordukovEm uma narrativa dividida entre a paixão pelo esporte e a obsessão da competição, Na Ponta (On The Edge) acompanha duas esgrimistas em diferentes momentos de sua carreira que se tornam inimigas e iniciam uma luta voraz pela fama e sucesso. Com visual estilizado e coreografias precisas de várias cenas, o diretor insere sua ficção esportiva nos moldes dos filmes de ação, apostando também em motivações pessoais que incrementam a rivalidade e inflam os confrontos entre as protagonistas. Doutora Liza (2020), de Oksana KarasElizaveta Glinka, médica e filantropa russa, é Doutora Lisa, figura humanitária muito conhecida na Rússia. Relembrando sua trajetória desde a fundação da instituição de caridade Ajuda Justa, destinada a ajudar os pobres, o filme homenageia seu legado. A filantropa faleceu na queda de um avião no Mar Negro, em 2016, em meio a uma viagem para a Síria onde levava medicamentos a uma Hospital. Evolução do cinema russo O construtivismo e a montagem dialética foram as bases da criação do cinema russo, porém, conforme a evolução do mercado cinematográfico no mundo, a indústria foi se reinventando e explorando novas vertentes artísticas. Desde Serguei Eisenstein, Dziga Vertov e Vsevolod Pudovkin, pioneiros de linguagem e grandes teóricos, o cinema russo foi buscando novos olhares que ressignificaram suas produções. A influência política em toda formação e desenvolvimento do audiovisual russo deram suporte para muitas inovações técnicas, estéticas e experimentações, que mais tarde, influenciariam novas ondas fílmicas dentro e fora do país. A profissionalização desse cinema veio do governo soviético, cujo principal objetivo para o cinema era usá-lo como instrumento de propaganda política. O período pós-guerra, somado à crise econômica com o final da União Soviética, impactou bruscamente o fomento audiovisual no país. A lenta recuperação e falta de distribuição de recursos foram desafios pontuais, que tiraram o eixo de investimento das mãos do governo e tornaram-no responsabilidade da iniciativa privada. Essa mudança deu fôlego ao cinema russo, possibilitando uma mudança radical nos anos 1990 e 2000. Nessa fase, destacam-se longas como Queimada Pelo Sol (1994), de Nikita Mikhalkov, vencedor do Oscar e destaque no Festival de Cannes; e O Retorno (2003), de Andrei Zviáguintsev, que levou o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Com a participação em festivais, o cinema russo promete alçar novos voos e aumentar sua popularidade entre novos públicos.