[[legacy_image_264272]] Foi pela poesia que Wescritor – nome artístico para Wesley Amaral dos Santos –, de 26 anos, descobriu sua vocação para a música. O rapper tupinambá decidiu iniciar sua carreira musical em 2017, quando percebeu que suas poesias tinham ritmo. Seis anos depois, acaba de lançar um novo single, Jet, já disponível nas plataformas digitais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O projeto é parte de um novo álbum que está em construção. Nas últimas semanas, o artista esteve na Escola Municipal Doutor Roberto Shoji, em Praia Grande, se apresentando para estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos) – algo que faz muito sentido em sua trajetória: “O que eu passo e o que vivo, eu quero para o próximo”. E o que vive tem muito a ver com suas raízes. Em 2019, ao enfrentar uma depressão, decidiu largar seu antigo trabalho e visitar seu avô, Ancião Amaral, na Aldeia Itapoã do povo Tupinambá de Olivença, na Bahia. Lá, Wescritor sentiu a profundidade e o peso do legado de seu avô. Na visita, entrou em contato com sua ancestralidade pela primeira vez. Então, nasceu o álbum Corpos Laranjas. “Eu aprendo muito com a presença, estando presente no território foi o que fez meu espírito se encontrar”. O artista crê ser visto pela aldeia como um representante. “É uma responsabilidade sobre algo que amo fazer, porque é sincero, é de coração e é por mim, primeiramente”. Seu primeiro show solo foi no Centro Cultural Tendal da Lapa, em São Paulo. Já se apresentou também nas aldeias Tekoa Itakupe e Ivy Porã, em São Paulo. “Em todos os territórios indígenas em que me apresentei, foi lindo e muito especial”. LiberdadeO rapper compara o lançamento da música Jet com o de Modificado – canção de 2020, em que simplesmente fala do amor romântico. De início, teve receio de ser julgado como um compositor ‘comercial’. A consciência profunda sobre suas origens fez com que superasse esse temor. Hoje, sente-se livre para falar sobre o que quiser em suas canções, sem descuidar da responsabilidade de ser um representante da comunidade indígena. Wescritor não se importa com a forma como é visto pela sociedade: como todo ser humano, sabe que também possui seu lado emocional, e não se cobra para falar apenas sobre ativismo e representatividade. “A minha tranquilidade sobre isso é saber a minha história”, enfatiza. E vai além: embora a ancestralidade seja o tema central de sua arte, tem a necessidade de trazer as questões sentimentais para sua música. Segundo ele, a canção mais ouvida pelo pessoal da aldeia Itapuã, na Bahia, é a faixa Verso do CBJR, do álbum Lado 013, uma homenagem à consagrada banda santista Charlie Brown Jr. Entre os artistas que mais aprecia, estão o escritor Fernando Pessoa, a cantora Brisa Flow e os cantores Edvan Fulni-ô, BK e Jason Tupa.