[[legacy_image_113581]] Um cosmopolita. É como se autodenomina o artista plástico santista Fábio Sampaio, de 49 anos, que há 30 anos tem Aracaju, no Sergipe, como sua morada. Encarando as duas cidades litorâneas como fonte de sua oxigenação poética visual, Fábio deixa sua marca de pertencimento com uma intervenção artística no Marapé, em Santos, seu bairro de origem. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ele instalou três lambe-lambes que fazem parte da série SerigyOrNotSerigy, versão em migração. Este projeto teve início em 2018 e conta com a criação de modelos que misturam a figura de um perfil indígena com ícones que remetem à cultura popular, diversidade, esportes e tecnologia. Em Santos, os modelos foram o da tecnologia, da diversidade e do futebol. A “esfinge” indígena foi apropriada de uma imagem expressa em uma marca de cimento. “Me apropriei dela e tenho como ideia comunicá-la como um anagrama do brasileiro e da mestiçagem do País”, explica o artista. Seu campo de investigação para criação de suas obras se refere a Santos e Aracaju. “Eu as chamo de minhas duas mães”. Para Fábio, foi em Santos que seu caráter se desenvolveu e que ele se lançou como artista. Já Aracaju foi onde ele descobriu uma “brasilidade efervescente” e teve contato com uma transparência de fazeres populares e culturais. Com relação à sua juventude vivida em Santos, ele cita referências como Chorão (da Charlie Brown Jr) e Sespes (da Garage Fuzz). A proximidade com essas bandas e com o skate e o surf, que ele praticava, intensificaram sua conexão artística com o urbano. “Eu sou da geração dos anos 80, a ‘faça você mesmo’. Tudo isso contribuiu para que eu continuasse trabalhando até hoje na área cultural como artista visual”. Essência Desta vez, Fábio está expressando sua arte por meio de lambe-lambes. Mas a técnica utilizada em suas obras varia de acordo com o tema que será abordado. “Não estou preso a técnicas, utilizo o que for necessário para que a mensagem e a interlocução com o público possa acontecer da melhor forma possível”, afirma. Uma característica marcante e sempre presente em seus trabalhos são as cores fortes. No início ele se voltava ao verde e vermelho, remetendo à produção industrial, mas agora ampliou sua paleta. Para ele, Santos e Aracaju são cidades bem iluminadas e isso integra sua essência. “Eu não conseguiria fazer um trabalho que não tivesse uma profusão de cores. É o que sinto, é o que vejo, e meus trabalhos refletem isso”.