Em meio a edifícios altos, tecnologia e mais de 28 milhões de habitantes, megalópole também oferece o Jardim Yuyuan (Adobe Stock) Quando cheguei a Xangai e avistei, ainda do ônibus, o skyline imponente do Distrito de Lujiazui, soube imediatamente que me apaixonaria pela cidade. Tudo ali é grandioso: edifícios, vias, monumentos, templos, shoppings — e, claro, a população, que ultrapassa os 28 milhões de habitantes. O mais impressionante, no entanto, é que, apesar dessa escala, há uma organização quase impecável. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Logo de início, chama a atenção o nível de limpeza. Mesmo com pouquíssimas lixeiras nas vias públicas, a cidade se mantém incrivelmente organizada. Outro aspecto curioso é o trânsito: intenso, mas surpreendentemente silencioso. Carros e motos elétricas predominam, criando uma sensação quase contraditória de tranquilidade. O único ponto de atenção é justamente a presença dessas motos em áreas de pedestres. Por serem praticamente inaudíveis, exigem atenção constante — uma realidade que, aliás, começa a se repetir em nossa região. Há também um cuidado evidente com o paisagismo urbano. Viadutos são revestidos por trepadeiras, transformando estruturas de concreto em verdadeiros corredores verdes. Praças, jardins e canteiros são cuidadosamente decorados com flores, criando um ambiente que suaviza a densidade urbana e anuncia a chegada da primavera chinesa. No primeiro passeio, subi ao mirante da Torre Jin Mao — um daqueles momentos em que a dimensão da cidade realmente se revela. Em menos de 45 segundos, o elevador leva ao 88º andar, a cerca de 340 metros de altura. Lá de cima, a vista do Rio Huangpu e de suas duas margens é impactante. De um lado, Pudong e seus arranha-céus futuristas; do outro, a parte histórica, que remete ao passado cosmopolita da cidade. A visita ao Templo do Buda de Jade trouxe um contraste imediato com esse ritmo urbano. O silêncio, o aroma dos incensos e a presença constante de fiéis criam uma atmosfera de respeito e introspecção. As esculturas em jade, delicadas e simbólicas, reforçam a importância espiritual do espaço. Pouco depois, o cenário muda novamente no Jardim Yuyuan. Conhecido como um “bosque urbano”, o local funciona como um refúgio dentro da cidade. Caminhar por suas pontes, observar lagos, pavilhões e o paisagismo cuidadosamente planejado é quase uma experiência meditativa. É difícil acreditar que, a poucos metros dali, Xangai segue em ritmo frenético. Esse contraste se intensifica no passeio de barco pelo Rio Huangpu, saindo do Bund. De um lado, edifícios históricos com mais de um século, que refletem a influência europeia e o passado comercial da cidade; do outro, uma paisagem contemporânea que se impõe com força e verticalidade. Se há algo que define Xangai, é justamente essa capacidade de equilibrar tradição e inovação sem que uma anule a outra. Isso ficou evidente também na visita a uma fábrica de seda. Entender o processo de produção e o valor cultural desse material trouxe uma dimensão mais profunda à experiência, mostrando que, por trás da modernidade, existe uma herança milenar muito presente. Mas Xangai também sabe ser leve. Reservar um dia para a Shanghai Disneyland foi uma escolha acertada. O parque impressiona pela escala — é o maior da Disney na Ásia — e pela forma como incorpora elementos da cultura chinesa ao universo clássico da marca. Por fim, caminhar pela Nanjing Road, uma das ruas comerciais mais movimentadas do mundo, foi um encerramento à altura. O fluxo intenso de pessoas, as luzes e a energia constante criam um ambiente quase hipnótico. Ao final da minha passagem por Xangai, ficou claro que o tempo foi curto diante de tudo o que a cidade oferece. É um destino que exige mais dias, mais calma e mais curiosidade. E que, sem dúvida, merece ser revisitado.