[[legacy_image_275433]] O encanto de Xand Avião pelo forró surgiu durante a infância, quando conheceu o icônico Luiz Gonzaga e teve a chance de vê-lo tocar sanfona em sua casa. A partir daí, a música se tornou a vida do potiguar de 41 anos, que ganhou projeção dentro e fora do Brasil como cantor do Aviões do Forró. “Quando a Sol (Solange Almeida) deixou a banda para seguir carreira solo, deu um frio na barriga de substituí-la, ficava com medo da reação dos fãs. Com o tempo, eles não só me aceitaram como passaram a chamar o grupo e eu de Xand Avião. Então, foram os fãs que mudaram o nome da banda. Acabou sendo algo natural. Por isso, a marca Aviões do Forró está guardada e podemos retomá-la quando quisermos”, conta o cantor, compositor e produtor que tem se experimentado como empresário e agente de outros artistas. Na entrevista, Xand, que vê o filho Enzo se aventurando também na música, faz um balanço dos 20 anos de carreira e diz que, junto com o Aviões do Forró, ajudou a mudar o jeito de se fazer forró. Quais são os planos para este ano?A gente tinha preparado muita coisa para 2020 e 2021, em função do aniversário de 20 anos de carreira, mas, com a pandemia, não deu para colocar em prática tudo o que foi planejado, como fazer um grande DVD em Fortaleza (Ceará) com mais de 50 mil pessoas. Guardei algumas músicas novas que seriam gravadas nessa ocasião para o EP 1MPAR, que teve o seu primeiro single, Perfume Caro, lançado agora, em 11 de maio. As demais canções sairão até agosto. Pretendo preparar mais um álbum para encerrar o ano. Você se envolve até que ponto nos seus projetos?Eu costumo compor músicas e participar da produção dos meus álbuns. No caso do 1MPAR, apesar de ele não ter faixas de minha autoria, conta com produção assinada por mim e mais dois colegas. Com o tempo, aprendi que música boa não fica velha e desenvolvi um tino: quando escuto uma canção, consigo perceber se ela tem potencial para fazer sucesso. Não foi sempre assim. No início da carreira, eu só cantava, não sabia escolher repertório, nem produzir. O palco é a melhor escola para o cantor. Nele, você vê o que o povo está sentindo e tem como perceber se precisa mexer no repertório para agradar as pessoas. Um show meu não é igual ao outro, mudo a seleção de músicas a cada apresentação. O que sente quando olha para trás e vê tudo o que conquistou até agora?Sou do interior do Rio Grande do Norte. Eu saí da minha terra com a meta de arrumar um emprego para conseguir pagar o aluguel. Não imaginava que ia fazer tanto sucesso e chegar tão longe. Eu só queria cantar para ajudar a minha família: os meus pais, eu já tinha uma filha na época... Jamais pensei que ia me tornar conhecido no Brasil inteiro e que faria nove turnês internacionais. Hoje, me permito produzir os meus trabalhos com mais calma, sem aquela correria toda e a pressão de estourar, de fazer sucesso. Isso, digamos, me dá alívio e alegria. Tem quanto tempo que você também promove festivais de forró e agencia e produz artistas?Eu me envolvi com essas atividades durante a pandemia. Sempre tive vontade de agenciar outros cantores e, inclusive, já havia recebido várias propostas para isso, mas temia não dispor de tempo suficiente para me dedicar de verdade à administração dessas carreiras. A minha empresa não tem nem dois anos e está entre as maiores do segmento. Hoje, posso me dar ao luxo de fazer shows só aos sábados e domingos e passar de segunda a quinta no estúdio, preparando músicas para os meus cantores. Falo para eles: sempre façam o que realmente desejam e traz bem-estar, não aceitem algo apenas para agradar o empresário. Vi muitas pessoas talentosas perderem as suas carreiras por causa disso. Temos de respeitar nosso verdadeiro patrão: o fã, que é quem briga pela gente. Além de tudo o que citei, ainda tenho dois restaurantes em Fortaleza. Qual foi o maior desafio que enfrentou até hoje?Lá atrás, em 2003, 2004, o forró não tinha a abertura que tem hoje. Você só ouvia esse tipo de música nas festas de São João. A gente queria mostrar que dá para tocar esse gênero de janeiro a dezembro. Várias vezes, escutei comentários assim: “É banda de forró? Não coloca camarim para eles”, “Eles não precisam de luz de qualidade”... Tivemos de vencer essas barreiras. Sem contar que o Aviões do Forró mudou o jeito de fazer forró. As bandas no auge antes da gente – Calcinha Preta, Magníficos, Limão com Mel – eram de forro romântico. O Aviões veio com som um pouco mais acelerado, com metais, percussão. As bandas que surgiram depois da gente seguiram esse legado. Com que idade se interessou pela música?Foi dos 6 para os 7 anos, quando o meu pai me levou até a casa do Luiz Gonzaga, em Exu (Pernambuco). Fiquei encantado ao vê-lo tocando sanfona. Após aquele dia, troquei os brinquedos por instrumentos musicais. Aos 15 anos, fui locutor de uma rádio FM para poder ficar mais perto da música. E aos 16, comecei a trabalhar em uma banda, escondido do meu pai. Quando ele descobriu que havia contrariado a sua vontade, foi uma baita confusão e ele disse que apenas seria cantor depois de terminar os meus estudos. Foi o que aconteceu.