[[legacy_image_302796]] A rotina de quem empreende em uma startup, muitas vezes, é atribulada. Separar o negócio da vida pessoal se mostra um desafio quando há falta de uma rotina de autocuidado e de limites de horário de trabalho. E não é à toa que cada vez mais vai se falar sobre a saúde mental desses profissionais. O crescimento das startups no Brasil e o desenvolvimento do modelo de trabalho remoto têm feito com que muitos empreendedores não consigam separar as sintonias, causando danos severos ao emocional e às relações pessoais. O psicólogo Danilo Ventura atendeu responsáveis por inúmeras startups do ramo tecnológico. Sobre a saúde mental deles, destaca que é preciso lidar com menos recursos e que isso faz com que o crescimento dos negócios fique mais precarizado e difícil. “Se antes as startups pensavam em fazer mais com menos, agora esse discurso está elevado ao quadrado. O que aumenta a pressão para todos, tanto para os funcionários quanto para o empreendedor”. O especialista acrescenta que é válido observar o cenário macroeco-nômico e geopolítico. “Esses empreendedores têm que ser mais certeiros. Já que costumam estar cada vez mais pressionados nesse sentido, pelos investidores e pela necessidade de tomar decisões assertivas. Isso desgasta muito emocionalmente”. Ventura também ressalta que, atualmente, as startups estão em um momento de maior restrição, muito diferente do formato dinâmico que era proposto há alguns anos. “No começo, esse tipo de empresa se comprometia mais em errar, testar e inovar. Hoje, isso tem ficado cada vez mais restrito”, salienta. O psicólogo diz que outro desafio enfrentado pela maioria é a dificuldade para gerir pessoas e isso também pode gerar desgastes emocionais. “Encontrei empreendedores, CEOs, gestores de startups que têm muita formação acadêmica nas áreas de exatas e investimentos. Eles entendem bem a estrutura econômica e os modos de produção, mas falta profundidade no conhecimento de gestão de pessoas. Isso traz bastante desgaste no dia a dia, vários problemas. O que é determinante no sucesso e no fracasso do negócio”. Pensando nisso, Danilo Ventura preparou uma lista de dicas para os empreendedores lidarem com os negócios sem prejudicar a sua saúde emocional. O que fazer 1. Priorize a saúde mentalO psicólogo explica que, por um momento, isso foi deixado em segundo plano por diversos empreendedores. Hoje em dia, já há a compreensão de que a psicoterapia pode ajudar bastante quem monta uma startup a gerenciar as próprias emoções “diante de tanta responsabilidade, pressão e incerteza no mercado atual”; 2. Defina um tempo para cada atividadeVentura salienta que é importante definir horários para cada área da vida – profissional e pessoal. Deve-se estabelecer o que é prioridade ou não. “Precisa estar claro o que é urgente e o que não é, de modo que a pessoa consiga preservar alguma privacidade. Momentos em que não se preocupe com outras tarefas e que não seja afetada pelo trabalho”; 3. Seja autênticoSegundo o psicólogo, o empreendedor deve preservar a própria personalidade, ou seja, sua autenticidade. “Ele tem de conciliar quem é na vida pessoal com a forma como se porta no trabalho. Por muito tempo, essas figuras quase não se misturavam. Assim, a pessoa era uma no serviço e outra completamente diferente fora do trabalho. Isso gera desgaste emocional. Portanto, deve-se trazer essa autenticidade de quem se é para o dia a dia da startup. Sentir-se confortável poder ser menos estressante”; 4. Estabeleça rotinas no trabalhoPara prevenir danos à saúde mental no novo modelo de trabalho remoto, Danilo Ventura recomenda adaptar processos e saber a hora de desconectar. “Os empreendedores precisam estabelecer rotinas de horário no home office para si e para os funcionários. Depois disso, desconectar do negócio em determinado horário”; 5. Cogite um acompanhamento psicológico“Quando uma startup, por exemplo, precisa de um investimento e não consegue, isso gera uma ansiedade muito grande. Se o empreendedor não tem a capacidade de conter as angústias nem faz acompanhamento visando obter ajuda nesse tipo de situação, é comum que transmita ansiedade para o resto do time”, explica o psicólogo; 6. Não se limite à faceta de empreendedor Danilo Ventura destaca a importância de viver além do empreendedorismo, tendo uma rotina fora do local de trabalho. “Acho que o custo é alto quando se investe muita expectativa e essa pessoa se prende apenas à identidade de empreendedor. Como seres humanos, temos diversos desejos, anseios, prazeres, ambições e aptidões. Exercer outros papéis como os de bom pai, bom filho e atleta amador também importa. Transitar entre esses aspectos sociais e não ficar somente preso à figura do empreendedor ajuda a oxigenar e a trazer flexibilidade, algo tão necessário nos dias atuais”.