[[legacy_image_299292]] Cada vez mais pessoas sentem vontade de empreender. Mas o que muita gente não imagina é que o desejo de montar o próprio negócio também tem se manifestado, inclusive, em algumas crianças, seja como uma forma de multiplicar a mesada ou mesmo como um passatempo. O que, de quebra, ainda ensina aos pequenos comprometimento, iniciativa, persistência e autonomia. Abaixo, você conhece alguns casos de crianças da região que se aventuraram nesse mundo do empreendedorismo. Diante de tais histórias, a psicóloga Márcia Atik explica que crianças seguem exemplos, ou seja, uma que cresce em um ambiente empreendedor acaba tendo o empreendedorismo como um hábito natural. E a vontade de montar um negócio, muitas vezes, surge na hora de brincar. “As crianças costumam ser bem criativas. Por exemplo, brincar de vender alguma coisa ou de fazer teatro e cobrar entradas, isso pode não ter uma ligação direta com a ideia de empreendedorismo, porém não deixa de ser uma experiência que prepara a pessoa para ter um negócio. Brincando, a criança aprende que comprar e vender fazem parte da vida”. Ainda segundo Márcia, com o amplo acesso à informação, os pequenos geralmente entendem com mais facilidade a prática comercial. “Na internet se divulga a ideia já formatada do empreendedorismo, do ganhar dinheiro, do vender e comprar para obter lucro. Isso pode chamar a atenção daquela criança que busca um pouco de independência financeira”. A psicóloga aponta mais implicações e benefícios de empreender na infância: “Quando é um estímulo familiar, pode existir uma exigência e a parte emocional da criança não está preparada para não corresponder a algo, ela não é madura o suficiente. Lembrar que, para o pequeno, tudo tem que ser uma brincadeira é importante, pois o que vai muito além disso pode gerar ansiedade e estresse. Se o ato de empreender for encarado com a leveza do brincar, a criança vai obter lucro não só financeiro, mas de ver um resultado positivo gerado por uma iniciativa dela”. [[legacy_image_299293]] Da web para duas lojas físicasA pequena Valentina Milanês Campos, de 9 anos, faz a curadoria da papelaria Coisas da Pompom, em Santos. Responsável pela parte administrativa do negócio, sua mãe, Brunna Rodrigues Milanês Gomes, de 37 anos, conta que a filha sempre teve interesse por papelaria e que, em passeios e viagens, ela costumava procurar novos itens nas lojas. “Ela sempre gostou muito desses produtos de papelaria diferenciados. Nos nossos passeios em família, ela queria visitar essas lojas e garimpar canetas e cadernos diferentes, em vez de ir para lojas de brinquedos”, diz Brunna. De acordo com a mãe, Valentina teve a ideia do empreendimento aos 8 anos e recebeu orientação sobre as responsabilidades que existem ao tocar um negócio. “Eu falei que não iria investir naquilo e ela, a princípio, aceitou. Pensei que a Valentina ia esquecer logo dessa ideia, só que ela continuou pesquisando marcas”. A Coisas da Pompom começou on-line com alguns itens sugeridos pela estudante. “Eu acho importante estimular essa parte das crianças. Comprei o que a Valentina tinha falado e ela vendeu super-rápido”, comenta Brunna. A empresária cita que, nas horas vagas entre os estudos e as demais atividades, a filha fica nas duas lojas físicas acompanhando as vendas e fazendo a curadoria dos produtos. “Ela participa de todos os processos. O que mais gosta obviamente é a parte de compras, é ela quem indica produtos”. Valentina sonha em ter várias papelarias e que a Coisas da Pompom conquiste inúmeros seguidores nas redes sociais. “Eu quero ter milhares de papelarias pelo mundo inteiro, até na China. O meu segundo sonho é a Coisas da Pompom bater um milhão de seguidores na internet”, almeja a garota. Empresária dos sonhos da filha, Brunna se orgulha da persistência da pequena. “Com 9 anos, ela já tem resiliência, persistência, garra de correr atrás e não desistir de um sonho”, celebra. A Coisas da Pompom fica no Praiamar Shopping (Rua Alexandre Martins, 80, Aparecida) e na Rua Goiás, 33, Boqueirão. [[legacy_image_299294]] Equilíbrio em famíliaLaís Toito Cravo, de 10 anos, está à frente da papelaria Frufrularia. Ela vende os produtos pelo WhatsApp, em seu site (www.frufrularia.com.br), na sua conta no Instagram (@frufrularia) e em feiras no condomínio onde mora em Santos. A menina cita que o negócio surgiu em um evento de Dia dos Pais e que seu pai, Thiago Cravo da Silva, a ensinou a como investir. “Ele me deu dois livros sobre educação financeira. Eu estudo de manhã e divulgo para os professores e amigos da classe a papelaria. Aí, no período da tarde, me dedico um pouco para a Frufru”, explica. Embora sonhe em ser policial federal, Laís afirma que, no momento, almeja que a Frufrularia tenha uma loja física. A mãe da pequena, Michella Toito Franco, de 41 anos, comenta que foi gratificante ver a filha criar autonomia financeira. “É muito bacana acompanhar a Laís se virando nas feirinhas. Atendendo, cobrando, dando desconto, brinde... Ela se sai superbem”. Michella, que administra a renda da filha, defende a valorização da educação financeira para crianças nas escolas. “Porque é muito importante criarmos adultos responsáveis. A Laís tem uma conta em que a gente coloca o dinheirinho dela. Portanto, ela mesma define o quanto quer investir na papelaria, se vai comprar mais mercadorias e o quanto pretende reservar para ela. Hoje, desde o lanche da escola até a sua roupa, é a Laís quem compra e paga por tudo isso”. A mãe conclui: “Nós ajudamos na administração até para não se tornar um fardo e ser divertido para a Laís. A gente tenta sempre orientar. Ela já está trilhando os próprios caminhos”.