[[legacy_image_266757]] Em breve, muito provavelmente até o final desta década, nossas roupas não serão mais objetos ligados exclusivamente ao mundo da moda. Na verdade, talvez seja necessário, vez ou outra, levar uma camisa para reparos junto a um especialista em computadores. A novidade tem a ver com a Internet das Coisas, um processo tecnológico com o objetivo de conectar itens que nos cercam no cotidiano, como as roupas, à rede mundial de computadores. Recentemente, os cientistas anunciaram uma nova etapa nesse processo, com a criação de uma braçadeira que funciona como um teclado ou bloco de desenho. O material, que responde ao toque, interpreta o que um usuário desenha ou digita e o converte em imagens que podem ser transmitidas para um computador. O protótipo, que passou nos testes, demonstra que esses dispositivos vestíveis permitirão desde atividades prosaicas, como usar um videogame, até assinar documentos digitalmente. Por enquanto, a novidade consiste em uma fina bolsa com um gel à base de água, dotado de capacidade eletrocondutora. Para revestir essa bolsa, os cientistas optaram pela milenar seda. Mas até mesmo esse material natural já está com os seus dias contados. Um consórcio de pesquisadores de vários países acaba de obter um avanço significativo na fabricação de seda sintética – nesse caso, em vez do bicho-da-seda, a inspiração veio das aranhas. A novidade, dizem, abre uma nova era de sustentabilidade na produção de roupas. Primeiro por se tratar de um produto que é fabricado a partir de bactérias e, em segundo lugar, por ser muito mais resistente do que as melhores sedas naturais, sejam elas produzidas por aranhas ou lagartas. Aliás, nessa reengenharia da seda, outro animal desempenhou um papel decisivo: os mexilhões. Foi graças a uma proteína extraída do pé deles que se obteve um material coeso, forte o suficiente para funcionar como “berço”, no tecido, para aplicações tecnológicas. Tudo isso, além de outras substâncias em testes, já permite antever, para breve, que nas prateleiras das lojas será possível comprar não apenas roupas com interface semelhante à de uma tela de computador ou à do teclado de um celular, mas, também, capazes de abrigarem sensores que captam e analisam a saúde do usuário. Não me pergunte, ainda, sobre custos. Hoje, essa tecnologia não chegou na fase de estudos de mercado. O que se pode dizer, porém, é que esses novos materiais se mostram muito duráveis, capazes de reduzir significativamente os impactos ambientais resultantes da produção de cerca de 100 bilhões de roupas, que geram em torno de 92 milhões de toneladas de resíduos a cada ano. InspiraçãoNão são apenas os estilistas que se inspiram na natureza para fazer suas coleções. Os estudos que estão proporcionando a criação desse futuro vestuário também. Isso se chama biomimetismo: bio = vida; mimetismo = imitação. É o caso dos mexilhões. A capacidade que eles têm de se fixarem nos costões rochosos e ali viverem, mesmo açoitados diariamente pelas ondas, já gerou novas substâncias até para uso da medicina. No caso dos tecidos, essas proteínas dos moluscos têm tramas mais resistentes (portanto, mais duráveis) e mais leves.