[[legacy_image_309433]] “Você não vive, sobrevive”. Essas são as palavras da modelo Dinara de Almeida Santos ao relatar como foi nascer e crescer nas ruas do Rio de Janeiro (RJ). Por 11 anos sem abrigo entre abrigos e ruas, a carioca de 24 anos possui uma história repleta de superações e lutas. Atualmente, Dinara é uma das apostas da moda nacional estampando campanhas para marcas como Tai Dai, Pythia, Zerezes, Baw Clothing e Avoar e fazendo sucesso nas redes sociais. Da terceira geração de sua família que morou nas ruas, os grandes sonhos da modelo são comprar a casa própria e dar um futuro digno para os três filhos: Danyllo, Maya e Lya, de 8, 5 e 4 anos, respectivamente. Em entrevista ao domingo+, Dinara compartilhou um pouco de história. Como você se tornou modelo?Faz três anos que atuo como modelo. O fotógrafo Paulo Veloso gravou um vídeo meu, publicou e fiz o primeiro trabalho com uma amiga dele, também fotógrafa. Eu tenho feito trabalhos com algumas grandes marcas e marcas iniciantes. Já fiz trabalhos para coleções de biquíni, óculos e bolsas de grife. Qual foi a sensação ao fotografar pela primeira vez como modelo? Fiquei tremendo de medo, porque nunca fotografei. Nunca fiz nada do tipo, então eu achava que não ia dar certo, que eu não saberia fazer. Foi mágico, uma coisa maravilhosa. Você se sente inútil a vida toda e chega a hora em que se encaixa em um lugar. Eu me encontrei, me descobri de novo como ser humano. A melhor coisa da minha vida - primeiro meus filhos, lógico. Como modelo, meu sonho é conseguir mais trabalhos e campanhas internacionais. Também conseguir ganhar bem com o que eu faço e ser reconhecida. Como foi crescer nas ruas?Crescer na rua é sobreviver. Você não vive, você sobrevive. É um privilégio chegar até aqui. Eu me olho hoje e penso: “Caramba, meu corpo é perfeito, meu rosto é perfeito”. Porque quem vive na rua sofre agressão, abuso e um monte de coisas. Você, tendo marcas na rua, não fica bem depois que você sai dela. Fora as marcas psicológicas. Minha avó morou na rua e minha mãe também. Então eu praticamente nasci na rua. Qual campanha você mais gostou de fotografar e por quê? Como foi a experiência?Foi uma campanha para a marca Pythia. A Helly Verruno (dona da Pythia) viu minha história e se dispôs a ajudar. Trabalhamos juntas aqui no Rio e ela me levou para fotografar na Bahia. Foi a primeira vez que andei de avião. Lá fizemos uma chamada de vídeo com o Seu Jorge. Coincidentemente, na minha caminhada na rua, quando era criança eu conheci o Seu Jorge. Eu o vi em uma banca em Ipanema e perguntei se ele era o Seu Jorge. Ele disse que sim e me pagou um salgado em uma lanchonete. Como é conciliar a carreira com a maternidade?Ser mãe e conciliar com a carreira de modelo é difícil. Eles aprendem comigo e eu aprendo com eles. Às vezes, tenho trabalhos longe e minha mãe não pode ficar com eles, então tenho que pagar uma babá. Muitas vezes, o cachê que recebo pelo trabalho é gasto com a babá e a alimentação das crianças. Quando saio, deixo comida pronta e roupas limpas, tudo certinho para eu ir fotografar. A maternidade é cansativa. É difícil manter meu corpo e psicológico, mas faço pelas crianças. Essa é a minha única saída para dar um futuro bom a eles. É uma loucura, mas damos um jeito. Não sei de onde tiro forças, só sei que eu faço. Quando fui para a Bahia fotografar, tive que deixá-los com uma babá. O coração dói, porque não estou acostumada a ficar longe. Não deixo com qualquer pessoa, porque não é todo mundo que cuida direito, como eu cuido. O que deseja para você e sua família em termos de futuro?Quero que as crianças cresçam, se formem e estudem muito. Que elas nunca passem nem um terço da metade do que eu passei na vida. Que sejam pessoas de bem, de bom caráter. Esse é o meu desejo para o nosso futuro. Qual o seu maior sonho?Meu maior sonho é ter minha casa própria. Não só minha, dos meus filhos também. É possuir um cantinho para eles morarem, algo que seja nosso. Para falar que não precisam ficar com medo de mês que vem serem mandados embora e não terem de onde tirar dinheiro para pagar. Dar uma tranquilidade, estudo e alimentação. Uma vida digna para as crianças.