[[legacy_image_266704]] Ser mãe não é uma tarefa fácil. Com a rotina corrida dos dias atuais, muitas vezes fica complicado conciliar o trabalho, os cuidados com a casa e ainda dar atenção aos filhos. É por isso que várias mães contam com a ajuda valiosa das avós na criação dos pequenos. Elas que são “mães com açúcar” e “mães em dose dupla” desempenham um papel fundamental na formação dos netos, e com amor, sabedoria e experiência, são grandes aliadas, capazes de auxiliar na hora de lidar com os desafios da maternidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Meus filhos têm mais brinquedos e roupas na casa da avó do que na minha. Eu que venho e pego uma ‘mudinha’ e levo pra minha casa”, admite a farmacêutica Paula Lopes Medina Carvalho, de 40 anos, mãe de Leonardo, de 6 anos, e Marina, de 3. Ela trabalha no Hospital Ana Costa, em Santos, há mais de dez anos e conta com a ajuda da mãe para cuidar dos filhos, trocar, levar para a escola e todas as necessidades das crianças enquanto trabalha. Segundo Paula, “se não fosse pela ajuda da minha mãe, eu não conseguiria trabalhar e sustentar minha família”. A avó de Leonardo e Marina, Maria Lucia Lopes Medina Carvalho, de 73 anos, é aposentada e fica com as crianças nos períodos da manhã e da tarde. “Eu saio de casa para ir para o trabalho e já deixo os dois na minha mãe. Lá, ela faz tudo: as mochilas, ajuda na lição de casa, dá banhos, leva e busca na escola”, conta Paula. Apesar da grande contribuição, é comum o relato de mães dizerem que os avós mimam os netos, liberam doces, refrigerantes e, muitas vezes, têm dificuldades para alinhar regras. Isso, porém, não é problema para Maria Lucia e Paula. Mãe e filha entraram em um consenso. “Eu os deixo aqui (na casa da avó) e é ela quem tem que cuidar, que vai dar as diretrizes e tomar as rédeas da situação. Já na minha casa, quem vai assumir essa posição sou eu”, relata Paula ao explicar o acordo. [[legacy_image_266705]] Seguindo exemplosDe acordo com a farmacêutica, não há muitas discussões quanto à criação dos pequenos. “Até porque eu sigo bem a linha de como ela me criou. Levo a bagagem que ela passou para os filhos dela e, agora, passo para os meus”, diz Paula, salientando que as divergências de opiniões acontecem, mas acaba sendo tranquilo administrar isso. “Não é nada que eu fique brava ou brigue, porque, afinal, não posso brigar. Preciso dela para me ajudar”. “É tão prazeroso ver os meus netos comendo uma coisinha que eu fiz”, admite a avó Lucia. Ela comenta que cuidar de Leonardo e Marina é um dos maiores prazeres da vida e, por causa deles, se sente anos mais jovem. “Os dois me dão força e, quando eu cuido deles, acabo esquecendo as dores e fico fortalecida”. Nos fins de semana, os pequenos ficam na casa da mãe, que não trabalha aos sábados e domingos. Porém, gostam tanto da rotina na casa da avó que, no domingo, ficam pedindo e dizendo que querem “ir para a casa da vovó”. Ajuda duplaA jornalista da TV Tribuna Marcela Pierotti, de 40 anos, conta com um auxílio em dose dupla: tanto a avó materna quanto a paterna se revezam para cuidar dos netos. Ela é mãe de Bento, de 7 anos, e Elis, de 1 ano e 9 meses, e por conta da rotina agitada dela e do marido, precisa da cumplicidade da mãe e da sogra. “Eu trabalho no período da manhã e meu marido, de tarde. Então, quando eu estou no trabalho, é ele quem cuida dos filhos e, quando ele está indo para o emprego, eu estou chegando em casa. Mas, muitas vezes, trabalhamos no mesmo horário, principalmente nos plantões de fim de semana, e é aí que as avós nos salvam”, conta Marcela. Calendário agitadoE tudo já fica predefinido, como um calendário. Às segundas-feiras, terças e sextas, as crianças estão com a mãe de Marcela, Luiza Maria Assef Pierotti, de 73 anos. Já nas quartas e quintas, a sogra, Sandra Maria Martins Pereira, de 70 anos, entra em ação. Nos finais de semana, elas revezam de acordo com os compromissos de cada uma. E não são apenas as mães que se beneficiam da ajuda das avós. Os netos também adoram passar tempo com elas. “Quando o meu genro vai para o trabalho, ele leva o Bento para a escola e a Elis vem para a minha casa. O Bento fica olhando para mim com uma cara triste e fala que não quer ir para o colégio e, sim, ficar comigo. Ele vê a Elis na minha casa e quer ficar também”, relata Luiza. Para Sandra, a melhor parte é quando os netos chamam “vovó, vovó”. “Nos meus dias de cuidar deles, já sei que não posso marcar nada de médico ou compromissos. Fico muito feliz em ajudar e percebo que tenho mais paciência com os netos do que tinha com os filhos”. Apesar das divergências de opiniões e gerações, Luiza diz que procura respeitar as vontades e o modo de criação da filha, “afinal, ela é a mãe”. “Nossa relação é muito boa, só tenho que agradecer. Elas são parceiras e não se intrometem na maneira que eu e meu marido criamos os filhos, não ficam ditando regras ou dizendo como agir”, conclui Marcela. Contribuição positivaMães que contam com a ajuda valiosa das avós para cuidar dos filhos sabem o quanto essa relação pode ser enriquecedora para todos. Com experiência de vida, amor e sabedoria, as avós tendem a se tornar figuras de autoridade importantes na educação das crianças. No entanto, é preciso cuidado para evitar conflitos geracionais e garantir que todos os adultos que participam da criação dos pequenos estejam alinhados. A psicóloga Marcelly Lima Soares explica que é muito bom para as crianças e adolescentes crescerem tendo o convívio com os avós, assim como é muito bom para os avós repassarem seus valores e experiências para os netos. “Os avós podem contribuir positivamente com a educação dos mais jovens, trazendo perspectivas e orientações importantes para o seu desenvolvimento moral”. Mas, como em qualquer relação, é essencial que todos falem a mesma língua e estejam de acordo com as regras adotadas para evitar confusões na frente das crianças. A especialista diz que o ideal é que os avós não tirem a autoridade dos pais diante dos filhos. “Se os avós não concordarem com alguma regra adotada pelos pais, devem em outro momento conversar com eles sem a presença das crianças”, observa. Segundo Marcelly, apesar de ser uma grande ajuda, é importante lembrar que a responsabilidade principal pela criação dos filhos é dos pais. As avós devem ser encaradas como um auxílio e não como substitutas dos pais. “Os quais têm de se envolver ativamente na educação dos pequenos, e que as avós respeitem as decisões dos pais”.