[[legacy_image_286651]] Já faz mais de 30 anos que Joana Fomm fez os seus papéis mais icônicos, mas, até hoje, as pessoas ainda a associam à personagem Perpétua, da novela Tieta (1989), e à vilã Yolanda Pratini, de Dancin’ Days (1979). E isso não a incomoda. Ao contrário. Ela encara como a maior prova de reconhecimento do seu trabalho. A atriz de 83 anos, que esteve recentemente em Santos, bateu um papo gostoso com a equipe do domingo+. “Quando era menina, eu tinha uma tia, um tio e uma prima que moravam em Santos. Então, quase sempre passava as minhas férias na Cidade. Era muito legal!”, conta. Na entrevista a seguir, Joana fala também da vontade que tem de se experimentar como diretora, da ligação com a política e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da relação com o filho, o músico Gabriel Fomm. A senhora fez muitos trabalhos não só na televisão, mas no teatro e no cinema também. Quais foram mais especiais?Eu tenho carinho por todos os meus personagens, porque gostei de tudo o que fiz. Amo ver cinema, trabalhar em um set e aprender durante o processo. Agora, atuar no teatro não foi uma surpresa, porque já estava encaminhada desde o curso de artes cênicas. E na televisão, eu fui me oferecer para atuar. Cavei a oportunidade e tudo deu certo. É muito legal como a TV mexe com tanta gente. Você faz uma coisa e, no dia seguinte, as pessoas te chamam na rua pelo nome da personagem. Gosto demais de representar. Mergulho tanto no papel que viro a personagem na hora. Me dedico de verdade e gosto de estudar e pesquisar, para me preparar para aquilo. Também tenho uma espécie de sentimento com relação a qual caminho seguir. Por exemplo, quando eu fiz a Perpétua, na novela Tieta, queria que ela fosse burlesca e meio engraçada e doida. Então, fui atrás disso. As pessoas ainda falam muito da Perpétua e da Yolanda Pratini, de Dancin’ Days?Sim. Eu estava no teatro e uma moça disse que era minha fã e chorou, emocionada, por estar ali comigo. Eu gosto desses encontros, e toda vez que recebo um elogio por um trabalho que fiz aquilo significa bastante para mim. Lembro que, na época da novela Tieta, alguns garotos começaram a mexer comigo na fila do cinema e brinquei de correr atrás deles (assim como a personagem fazia). Foi uma farra incrível! Tive sorte de fazer tantos papéis bons na minha carreira. No caso de Dancin’ Days, a princípio, eu ia fazer um personagem diferente, mas a Norma Bengell precisou sair da novela e acabei interpretando a Yolanda Pratini no lugar dela. Foi uma delícia, um papel adorável. Tem algum personagem que sonha em fazer e ainda não teve a chance?Eu sempre fico querendo mais e achando que preciso alongar a minha carreira, porque posso fazer mais coisas. Por exemplo, tenho vontade de trabalhar na montagem de alguma obra de (William) Shakespeare. Sou aquele tipo de atriz que participa do processo para valer. Dou muitos palpites, mostro o meu ponto de vista e as minhas impressões. Quem sabe um dia eu não dirijo (alguma produção). Aí está algo que eu sempre quis fazer, mas não tive oportunidade, nem convite. Seria uma boa me experimentar nesse papel. A senhora me contou que é apaixonada por programas de jornalismo. O que mais chama a sua atenção no noticiário atual?Estamos saindo de uma fase horrorosa. Eu fico na expectativa e na torcida do que vai acontecer com o Brasil. Na minha opinião, o Lula está bem melhor agora do que nos outros mandatos. As pessoas que ele chamou para o governo são ótimas. Aliás, a Gloria Pires, que é bastante minha amiga, tem trabalhado junto ao presidente em Brasília e me falou para acompanhá-la. Provavelmente vou lá ver de perto o que está rolando. A Gloria tem cobrado uma melhor remuneração para os atores. O meu salário costuma ser bom, principalmente de um tempo para cá, mas, de modo geral, a maioria dos colegas ganha muito mal. O que é triste. Desejo ajudar a dar um rumo melhor para a profissão, pois a gente se esforça para ser bom em cena, não é algo que vem do ar. Por acaso, a senhora já se envolveu com política antes?Já. Foi, inclusive, nos primeiros mandatos do Lula. Eu fiz parte da equipe dele e contribuí não apenas em questões relacionadas com a cultura; me envolvi nos mais variados tipos de assunto e ainda aumentei o meu conhecimento. Aprender é bom à beça! Só que, depois que deu aquele bode e o Lula saiu pelas bobagens que fez, me afastei da política. Fiquei tão aborrecida na época. Cheguei a dizer que o Lula havia me aborrecido e colaborou para o câncer (de mama) que tive. O seu filho, Gabriel Fomm, também seguiu o caminho da arte, não é mesmo?Ele é um bom músico e, assim como eu, mergulha de cabeça no que faz. O Gabriel está trabalhando como técnico de som da Maitê Proença. Brinco que, atualmente, ele é o meu pai, porque, devido à minha idade, toma mesmo conta de mim. Meu Deus do céu! Moramos juntos no Rio (de Janeiro) e ele fica verificando se comi, se tomei o remédio direito, cuida da minha roupa e do que mais eu necessitar. Às vezes, até fico com pena de tão preocupado que ele se mostra. É um filhão!