Isabela Dias: "É uma série que traz esperança, que faz a gente lembrar de como o futebol é uma das nossas maiores paixões, que a força da união é imbatível" (Felipe Quintini/Divulgação) Entre a estreia no streaming e uma trajetória construída com intensidade nos palcos, a atriz Isabela Dias vive um momento importante na carreira. Com mais de 12 anos dedicados ao teatro, onde também escreve, dirige e desenvolve projetos autorais, a artista agora ganha destaque nacional ao interpretar Marlene Venerando na série Brasil 70 - A Saga do Tri. Na produção, que retrata os bastidores da conquista do tricampeonato mundial da seleção brasileira em 1970, Isabela dá vida à esposa do goleiro Félix, mostrando a força e a sensibilidade de uma mulher fundamental na vida do jogador. Em entrevista ao domingo+, ela fala sobre o mergulho emocional na personagem, os desafios da profissão e a necessidade constante de criar os próprios caminhos dentro da arte. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Marlene Venerando, que você interpreta na série Brasil 70 - A Saga do Tri, foi uma figura fundamental na vida do Félix durante a Copa do Mundo. O que mais te emocionou ao descobrir a história dela? A força dessa mulher me emociona muito. Ela foi o pilar daquela família. Cuidar de três filhas, dar conta da casa, apoiar incessantemente o marido... isso me deixou fascinada pela história da Marlene e também muito honrada de ter sido escolhida para interpretá-la. Mesmo sem dividir muitas cenas com o Hugo Haddad, como foi construir essa relação de cumplicidade e afeto entre Marlene e Félix? Assim como o Hugo, todos com quem tive contato me receberam muito bem. Me senti muito acolhida por todos. Hugo é um excelente ator, um querido. Trocamos algumas informações sobre a família Venerando, algumas fotos, fatos que ele sabia e eu não, e vice-versa. As cenas das ligações entre Félix e Marlene têm uma carga emocional muito forte. Como foi gravar esses momentos tão íntimos e simbólicos? Coincidentemente, foi a primeira cena que gravei. Foi muito emocionante em todos os sentidos. Para mim, como atriz, estar naquele set com Pedro Morelli me dirigindo e uma equipe irretocável foi inesquecível. Essas ligações entre Marlene e Félix eram muito raras, porque não se tinha acesso ao telefone com tanta facilidade. E é interessante porque, mais uma vez, é uma cena que mostra o quanto Marlene era um pilar emocional para o marido, mesmo sem dizer muitas palavras. Você tem uma trajetória muito forte no teatro, escrevendo, dirigindo e atuando. O que muda na sua entrega artística quando trabalha para o audiovisual e, agora, para o streaming? A minha entrega artística sempre vai ser total, independentemente do trabalho. Estar em um projeto gigantesco como Brasil 70 me dá muito orgulho. É uma série que traz esperança, que faz a gente lembrar de como o futebol é uma das nossas maiores paixões e de que a força da união é imbatível. Estudei muito e me dediquei totalmente a essa personagem, assim como faço nas peças e em qualquer outro trabalho. (Julia Kahane/Divulgação) Seu trabalho mostra uma artista muito múltipla e inquieta, que cria os próprios projetos. De onde vem essa necessidade de estar sempre produzindo e inventando novos caminhos? Eu preciso exercer meu ofício. É essencial para mim, não consigo não ser atriz. E, muitas vezes, nessa profissão, não conseguimos estar nas produções que queremos, por isso é impossível só esperar. Então, eu dou meu jeito: crio, escrevo, reúno outros artistas que também querem produzir e coloco minha arte no mundo. Você falou sobre como o teatro transformou a sua vida artística e pessoal. Em algum momento pensou em desistir da carreira ou teve medo de não conseguir viver da arte? Sempre. Pode parecer cruel — e é mesmo. Ser artista é incrivelmente maravilhoso e, ao mesmo tempo, doloroso. Ainda somos muito desvalorizados. Vejo tanta gente criativa, incrível, sem conseguir mostrar o próprio trabalho, sem oportunidade. Eu não vivo somente da arte, trabalho com tudo o que você possa imaginar. É muito raro alguém viver só de arte. Depois de Brasil 70, que tipo de personagem ou projeto você ainda sonha em viver, seja no teatro, cinema, televisão ou streaming? Todos os que eu puder. Tenho sede de construir personagens completamente diferentes da minha personalidade. Acho que todo e qualquer papel é muito importante na carreira de um ator ou atriz. Eu amo o que faço e quero exercer esse ofício o máximo que puder nesta vida.