[[legacy_image_273799]] O pessoal motivacional competitivo diz: ultrapasse seus limites. O pessoal motivacional zen diz: respeite seus limites. Já fui do primeiro time. Venci muito, mas também ganhei o que não valia a pena, como estresse. Andei mais ultimamente pelo segundo grupo, o que não resolve a vida, já que há horas em que é preciso subir a régua (e esticar as horas) para não perder oportunidades. O sábado passado me mostrou que entender nossos limites é o importante. Quando permitir mais é OK e quanto ter consciência de que é necessário parar é essencial. Se você está chegando agora nos meus textos, ainda não sabe que convivo com uma insuficiência do pâncreas. Significa que meu organismo não filtra a gordura dos alimentos e não absorve as vitaminas. Isso me obriga a tomar um medicamento diariamente e a fazer uma dieta restrita. Como eu já venho há meses me sentindo bem, a nutricionista resolveu que era hora de reintroduzir algumas delícias gastronômicas. Com moderação. Assim, no sábado à noite, lá fui eu, animada, pedir uma pizza. Grande. Meia abobrinha, meia palmito. Abri uma exceção para a muçarela (evito ao máximo leite e derivados, por saúde e por consciência contra o sofrimento animal). Fiz o pedido cedo, às 18h, para não comer tarde. Às 19h, as duas belas fatias liberadas já estavam no meu prato. Uma pizza nunca me pareceu tão bonita e gostosa. Apesar de estranhar a oleosidade preenchendo a boca, espalhando pelos lábios. Mastigar devagar, saborear, sem pressa... Toma a primeira cápsula do remédio no começo do primeiro pedaço. Toma a segunda cápsula antes de iniciar a segunda fatia. E esse era o limite. Mas o gatilho do gosto da gordura deu o comando para o cérebro de “come mais, boba”. O terceiro pedaço foi a lição. Com controle, passei um pouco do limite e tudo bem até aí. Só que, por desrespeitar as regras, passei o resto da noite nauseada, com dor de cabeça e tomando chás. Acordei como de ressaca. Ao notar que ainda não estava recuperada na manhã de domingo, voltei emocionalmente aos piores meses da crise que me levou a descobrir a insuficiência. Um corpo cansado, lentidão para fazer qualquer tarefa. Cancelei, de coração partido, minha ida a uma festa junina. Nada de comidinhas de quermesse, quadrilha e correio elegante para mim – justo com o Dia dos Namorados aí. Sentada no sofá, derrotada, prestes a chorar, minha doguinha Charlotte senta diante de mim, com seus olhinhos mágicos, que diziam: “Reage, mamãe! Bota um top e vai caminhar!” Charlotte sempre tem razão. Tomei meia lata de água tônica, o que ajuda. Coloquei top, shorts, calcei os tênis e caminhei quase 50 minutos, sob a força do sol de outono, passando pelos lugares de que mais gosto no meu bairro. Voltei para casa muito melhor. Congelei o restante da pizza. E tomei a decisão de correr os 10 KM Tribuna FM em 2024. Há dias, pensava sobre o assunto. Será sobre ultrapassar meus limites, com tempo para me preparar, respeitando os meus limites. O equilíbrio existe. Com ele, em breve, vou correr, voltar a comer pizza e maratonar quermesses. Porque passos constantes e menores também nos levam longe – e da maneira como realmente devemos chegar.