[[legacy_image_287296]] Assistir a um filme, ler um livro, revisitar memórias em fotos e ouvir música são atividades que, além de ajudarem a amenizar o estresse e o cansaço da correria diária, andam cada vez mais digitais. Dados da plataforma Statista mostram que o Brasil está na quinta posição do ranking mundial dos países com a maior quantidade de usuários de internet, com 165 milhões de pessoas. Mas, embora a tecnologia tenha democratizado e compactado funções de entretenimento em smartphones, há quem faz questão de ter em mãos um livro, um disco de vinil, HQs, câmeras fotográficas convencionais e assim por diante. O que, em muitos casos, acaba por ser tornando um hobby e motiva até uma coleção. [[legacy_image_287297]] DiscosA fotógrafa e jornalista Fernanda Luz, de 40 anos, ouve discos de vinil pela sonoridade e aprecia a parte gráfica dos álbuns. “Os discos trazem nostalgia, pois, na minha infância, era quase o único modo de escutar música, junto com as fitas cassetes. Eu tinha vinil da Xuxa, das Paquitas, de trilha sonora de novela, talvez ainda tenha um desses comigo, apesar de meu gosto musical estar bem diferente”, diz. O disco Crônicas da Cidade Cinza, do rapper Ogi, lançado em 2011, é um de seus preferidos. “Esperava tanto por ele prensado em vinil que até indaguei o próprio artista, após um show sobre quando seria lançado.” Além desse álbum, Fernanda também tem apreço pelos discos Relax in Your Favorite Chair, da banda santista Garage Fuzz; Raio X do Brasil, do Racionais MC’s - primeiro álbum de estúdio do grupo de rap -; Rap é Compromisso!, do Sabotage; Nó na Orelha, do Criolo; Lurdez Da Luz, de Lurdez Da Luz. “Meu interesse por vinis começou justamente por gostar de rap e hip hop e ver os DJs tocando discos nas pickups e criando músicas em cima de outras já existentes”, explica. Segundo Fernanda, depende do artista, comprar um disco vinil pode representar um apoio financeiro para ele. “Há também uma questão de que os streamings pagam um valor muito baixo para os artistas. Então, comprar um vinil também pode representar um apoio financeiro a quem nos traz alguma felicidade em forma de música. Além de gostar de ter uma arte embalada em outra: o vinil e a capa”, ressalta. [[legacy_image_287298]] GeekNego Jota – forma como prefere ser chamado – é colecionador de artefatos da cultura geek e pop, e um dos sócios que montaram o Save Point, considerado um complexo multicultural de Santos, com hamburgueria, estúdio de tatuagem, escola de desenho, barbearia e loja dedicada ao universo geek. O empresário, de 37 anos, conta com uma extensa coleção de videogames, gibis, mangás e estatuetas. De família simples, na infância, Jota não tinha condições financeiras de obter esses itens. Hoje, realiza suas aspirações de menino. “Eu tive uma infância muito simples. Nunca fui de ter bonecos para colecionar. Nem gibis. Quando tinha um pouco de dinheiro, comprava itens em sebos. O problema era que, várias vezes, fiquei sem ver a continuação de algumas histórias. Isso me frustrava bastante. Tentava criar as historinhas depois no papel, desenhava em busca de um sentido para aquilo”, lembra. Aí, conforme foi crescendo, Nego Jota começou a investir em sua coleção. “Quando eu era mais novo, era difícil achar camisetas de personagens, certos gibis e bonecos. Agora, tudo anda muito acessível. O que é legal demais!”, conclui. [[legacy_image_287299]] FotografiaO premiado fotojornalista Alex Almeida, de 50 anos, registra momentos há três décadas. Ele se interessou por fotografia quando ainda estava na faculdade de Jornalismo. Editor da página Everyday Santos, se considera um curador de imagens, sempre olhando trabalhos de vários fotógrafos. Quando o assunto é a revolução tecnológica da fotografia nas últimas décadas, indo-se do processo analógico para o digital, Alex explica que tudo passa pelo “processo do tempo”, de modo que, para ele, não se deve descartar a importância da fotografia analógica no desenvolvimento tecnológico das máquinas e da informação. Alex acrescenta que cada equipamento demanda hábitos e sentimentos diferentes. “Existe uma pequena diferença de registro. Não acho que é uma distinção substancial, mas tem gente que sente saudade pelo aspecto lúdico”. O fotógrafo, que às vezes ainda utiliza equipamentos analógicos (a imagem ao lado é um exemplo disso), observa que o importante é documentar momentos, independentemente do modo como se faz esse trabalho. “O interessante é sempre construir uma imagem final. Não interessa se veio de uma pinhole (caixa com furo no meio, que faz fotografia) ou de uma câmera digital de médio formato”. Segundo o profissional, se antes a fotografia era um privilégio, com as máquinas digitais e os smartphones, hoje quase todo mundo pode ter acesso a essa arte. “A gente não pode ficar como um segregador de uma arte, de um saber. Tudo que democratiza é bom e é importante”. Fotógrafo documental, Alex Almeida deseja que seu trabalho alcance o maior número de pessoas. “A minha fotografia é chamada de fotografia documental. É aquela que pretende ficar, ela só ganha sentido mais pra frente, já que você desenha um tempo.” A fotografia As Bailarinas de Paraisópolis, de sua autoria, foi exposta inclusive no Belluno Photo Festival, na Itália, de 22 de abril a 7 de junho, e marcará presença no Treviso Photographic Festival, de 5 a 24 de setembro, também na Itália. [[legacy_image_287300]] LivrosLer é abrir uma janela para o desconhecido, um hábito que expande os “ares” de qualquer pessoa. Que o diga o economista Andre Luiz Prima Ribeiro, de 37 anos. Ele tem um acervo com 230 livros. Segundo o santista, ler é um hobby que mantém há anos e uma forma de relaxar e se distanciar da rotina, já que ajuda a conhecer novos lugares, personagens e histórias. “Minha paixão nasceu ainda quando pequeno, mas não teve um despertar específico, foi algo construído aos poucos”, comenta. A obra que mais o marcou foi As Vinhas da Ira. Escrita pelo norte-americano John Steinbeck, vencedor do Nobel de Literatura em 1962, conta a história de uma família que precisou migrar de Oklahoma, seu estado de origem, para a Califórnia, em decorrência da Grande Depressão de 1929. “Além de ser um livro fantástico, o inusitado foi que iniciei a leitura dele e parei depois de algumas páginas por estar achando chato. Passados alguns meses, dei uma segunda chance. Vencida as primeiras páginas, é fantástico”, destaca. Por mais que ame a sensação de ter um livro nas mãos, o economista também curte as plataformas digitas, pois “a essência da leitura não está onde se lê e, sim, o que e se há o hábito de ler”. “Com isso, há a disseminação do conhecimento, o aprendizado de novas coisas e a empatia com o próximo. Esse último aspecto, na minha opinião, é de extrema importância para a sociedade, à medida que a leitura proporciona à pessoa ver outros ângulos e dores, e a torna mais empática às mazelas que são vividas diariamente”.