Criaturas Extraordinariamente Brilhantes: filme aborda conexão e amor (Divulgação) Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é um filme-conforto daqueles que se tornam atemporais, que a gente revisita de tempos em tempos e descobre mais algumas preciosidades, amadurecendo um entendimento cada vez mais profundo sobre o sentido da vida e os laços de afeto indissociáveis. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Adaptado do best seller homônimo escrito por Shelby Van Pelt, o longa-metragem foi escrito por John Whittington e Olivia Newman, que também assume a direção. A cineasta norte-americana reúne em seu currículo o elogiado suspense Um Lugar Bem Longe Daqui (2022) e o drama First Match (2025). A história de Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é narrada por Marcellus, um polvo-gigante que vivia no mar, em liberdade, mas foi resgatado e levado para um aquário. O polvo é interpretado por Alfred Molina, que, embora apenas empreste sua voz, é uma presença marcante ao longo de toda a trama. Com um tom suave e, às vezes, melancólico, Molina apresenta um velho sábio e nos faz embarcar na ilusão de que aquele simpático molusco marinho, de oito tentáculos, realmente fala como um ser humano. O curioso é que não é a primeira vez que Alfred Molina assume um personagem com oito tentáculos no cinema. O ator já interpretou o vilão Doutor Otto Octavius, o Doutor Octopus, em Homem-Aranha 2 (2004), retornando ao papel icônico em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021). Segundo a ciência, o polvo é um dos animais mais inteligentes e, na ficção, Marcellus tem sentimentos e consciência de quem é e do confinamento a que foi submetido. Desde o início da trama, o espectador é levado a mergulhar no seu mundo e, inevitavelmente, sofre uma crise de consciência. Reflete sobre a tristeza de alguém que vive preso apenas por ser quem é: um polvo. Marcellus diz que a espécie humana é menos inteligente do que a sua e que viver confinado em um tanque servindo de atração para humanos é uma tortura, contando um a um os dias em cativeiro. No entanto, o polvo se afeiçoou a Tova, uma viúva solitária que trabalha como faxineira no local e conversa com ele o tempo todo. Não há como não se emocionar com Tova, interpretada brilhantemente por Sally Field, a veterana vencedora do Oscar de Melhor Atriz duas vezes: por Norma Rae (1979) e Um Lugar no Coração (1984). Sim, nós gostamos de você, Sally! Longe de ser uma história lúdica e infantil, Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é um drama sobre o peso da solidão e o quanto laços de amor e amizade podem ser determinantes para que alguém resgate o sentido de viver quando só enxerga vazio após sofrer perdas irreparáveis. O terceiro protagonista deste drama comovente é Cameron, um jovem sem-teto em busca do pai que não conheceu. Vale destacar a notável atuação de Lewis Pullman no papel. Filho do ator Bill Pullman, ele é puro carisma. Juntos, Cameron, Tova e Marcellus descobrirão mais coisas em comum do que supunham e, assim, vão vivenciar grandes transformações em suas vidas, experimentando o extraordinário. A produção encanta ainda pela fotografia. O filme exibe um festival de cores da vida marinha, além de locações belíssimas de uma cidade pequena e charmosa no litoral. A trilha sonora, do compositor Dickon Hinchliffe, entrega ao espectador a delicadeza e a suavidade dessa história mágica e ao mesmo tempo comum, que bem poderia ser a sua ou a minha. O filme, uma das produções mais envolventes e comoventes do ano, é um dos lançamentos recentes da Netflix. Vale a pena conferir e refletir sobre o que de verdade importa. Inspire-se! Boa semana!