[[legacy_image_306142]] Às vezes, tudo o que você quer de um fim de semana prolongado é desligar o cérebro por algumas horas enquanto come uma pipoquinha e assiste à Netflix. Ou não? Passei o último nesta dinâmica e, entre tudo o que assisti, Cidade Perdida se destacou, exatamente por me permitir assistir sem pensar em absolutamente nada, só nas bobagens divertidinhas da tela. O filme, estrelado por Brad Pitt, Sandra Bullock, Channing Tatum e Daniel Radcliffe, é uma comédia de aventura bastante previsível, sem reviravoltas e com toques românticos que conquistou o público do serviço de streaming e chegou ao primeiro lugar entre os filmes assistidos na plataforma. Passei o filme todo com a sensação de que conhecia aquela sinopse, muito além dos elementos tão comuns em vários filmes, como o vilão megalomaníaco e a ilha (nem tão) deserta com um vulcão. Só lembrei no dia seguinte: a história da escritora de livros pseudoeróticos - estilo Júlia, Sabrina ou Bianca, lembra disso? - que vai para uma floresta com um bonitão para lutar contra um criminoso é puro Tudo por Uma Esmeralda, filme dos anos 80 com Michael Douglas e Kathleen Turner. Sandra vive Loretta, escritora que no começo da história está em turnê para divulgar seu último livro, o mais recente capítulo de uma série literária estilo 50 Tons de Cinza, cheia de fãs. Ao lado dela, o aparentemente lindo e burro modelo que estampa todas as suas capas e, inclusive, é mais popular do que a própria autora. Mas alguma coisa que ela incluiu em suas histórias chama a atenção de Abigail (Daniel Radcliffe), um milionário bandido que quer descobrir um artefato arqueológico valioso e precisa, para isso, traduzir o idioma de um pergaminho que, por alguma razão, aparece nas histórias picantes de Loretta. Na cabeça do vilão, só ela pode desvendar a localização exata do artefato. Ele a sequestra e a leva para a ilha onde o tesouro pode estar. E o tempo é contado: o vulcão está prestes a entrar em erupção e vai destruir todo o lugar. Vão atrás da moça, para resgatá-la, justamente o modelo (Channing) e um experiente caçador de recompensas (Brad Pitt). Seguem-se as correrias de praxe neste tipo de história, as cenas à la Indiana Jones, os quebra-cabeças arqueológicos e, é óbvio, a aproximação romântica da escritora com seu parceiro de aventuras. A participação de Brad Pitt é curtinha, mas bem marcante. Além de ser bom ator, vem melhorando com o tempo, em especial por sua capacidade de rir e fazer rir de si mesmo e de sua imagem de galã. E ele tem escolhido filmes fora da caixinha para estrelar, como Trem Bala, Babilônia e Era Uma Vez em Hollywood. Com isso, vem conquistando o respeito não apenas das moças, como sempre fez. Tudo, absolutamente tudo no filme, pode ser previsto, o que não tira nem um pouco da graça. O elenco é muito simpático, a produção é razoavelmente caprichada e a história simples (como são as ficções escritas pela autora) nos leva exatamente aonde queremos ir. Nada memorável, nenhuma grande qualidade mas também nenhum defeito que atrapalhe.