[[legacy_image_301008]] A novela infantil Carinha de Anjo é um capítulo especial na trajetória da atriz Camilla Camargo – a produção, além do sucesso que fez durante sua exibição de 2016 a 2018 no SBT, entrou recentemente para o catálogo da Netflix e bombou no streaming, ficando por semanas no top 10 nacional e aparecendo, inclusive, no ranking global da plataforma. Camilla, que também fez trabalhos na Globo e no Multishow, agora pode ser conferida em Tudo Igual... SQN, primeira série nacional do Disney+ que acaba de estrear sua segunda temporada e é inspirada no livro infantojuvenil Na Porta ao Lado, da escritora e roteirista Luly Trigo. Na entrevista, a atriz goiana de 37 anos, que tem no teatro sua base e se prepara para voltar aos musicais em 2024, fala ainda do tempo que morou nos Estados Unidos e da experiência de narrar para o aplicativo Tika Books os livros infantis ABC dos Bichos e As Princesas Encaracoladas. O que achou da experiência de trabalhar para a Disney na segunda temporada da série Tudo Igual... SQN? A Disney está investindo bastante em conteúdos nacionais para o seu streaming. Tudo Igual... SQN é, inclusive, o primeiro projeto realizado dentro do Brasil. Me surpreendi em vários aspectos com a Disney. Ela tem um jeito próprio de trabalhar. Além de promover várias reuniões de elenco, eles priorizam muito a questão do bem-estar, de criar um ambiente acolhedor para a equipe inteira, o que achei diferente de todos os locais por onde passei. Sem falar que a Disney permeia a minha infância e a de diversas pessoas. No meu caso, ainda morei perto do parque nos Estados Unidos. Na série, interpreto a Ariane, personagem nova que chega para ajudar a movimentar a história e que, se houver uma terceira temporada, deve ter continuidade. Eu e a Ariane temos algumas semelhanças. Ela, assim como eu, se formou na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo). A diferença é que eu fiz Artes Cênicas e ela, Artes Plásticas, curso no qual cogitei me inscrever, por ter produzido algumas pinturas em tela e em porcelana quando era mais nova. A Ariane trabalha com artes plásticas e leva novos talentos para as galerias. Morou quanto tempo nos Estados Unidos? Fui com 14 anos e voltei perto de completar 17. Logo após o sequestro do meu tio, a minha família se mudou para os EUA por questão de segurança. Moramos em Plantation, na Flórida, que fica perto de Orlando (onde está o parque da Disney). Foi uma experiência muito rica não só por aprender um outro idioma. Amadureci, cresci bastante. Na minha escola, apesar de ela ser americana, tive a oportunidade de conviver com pessoas de diferentes países. Havia na sala uma menina de Israel, muita gente da Coreia, uma venezuelana e um colombiano. No colégio, me dediquei mais ao futebol e, entre as matérias de livre escolha, fiz pintura em tela e desenho. Você acabou criando uma ligação bem forte com o público infantil, principalmente pela novela Carinha de Anjo. As pessoas ainda comentam desse trabalho? Até hoje, mesmo a novela tendo sido exibida de 2016 a 2018. Carinha de Anjo entrou recentemente para o catálogo da Netflix e a gente do elenco se surpreendeu com a repercussão na plataforma (de ficar semanas no top 10 nacional e aparecer no ranking global). Na minha opinião, é o que se fala no teatro: quando a coxia é boa, isso transparece em cena. O elenco continua amigo até hoje. Nosso grupo não se desfez, marcamos encontros com frequência. Alguns colegas da novela vieram até ao aniversário do meu filho. Tem alguma história especial com o público infantil? Eu adoro trabalhar para criança. É um público receptivo, puro e extremamente sincero. O carinho que recebo, ver o brilho no olhar quando a criança me reconhece... Isso é impagável. Uma situação marcante foi quando um amigo cirurgião de coluna pediu para que gravasse um vídeo para uma menina em estado supergrave que ele ia operar e que é fã da novela. Gravei mensagem junto com outros colegas do elenco. Graças a Deus, a cirurgia foi um sucesso e a menina se recuperou. Ela e a mãe mandaram um vídeo falando da emoção que foi ver nossa mensagem e agradecendo. Esse é um dos maiores presentes que posso ter com o meu trabalho. Considera o convite para narrar audiobooks infantis um reflexo do elo que estabeleceu com esse público? Com certeza! O projeto também é de uma colega de Carinha de Anjo. Toda intenção de levar as crianças para a literatura sempre é bem-vinda. Fazer narração foi uma novidade para mim. Tentei ser o mais natural possível, li como leio para os meus filhos