[[legacy_image_322933]] Mineiro criado na Bahia, ele já fazia sucesso no teatro quando conquistou o coração do grande público no papel do garçom Ezequiel na novela Porto dos Milagres, em 2001, na TV Globo. De lá até hoje, foram muitos personagens e uma carreira sólida e diversificada. Casado com a atriz Adriana Esteves desde 2006, Vladimir Brichta, de 47 anos, terá um 2024 agitado e de muito trabalho. Ele encarnará um vilão daqueles que devem causar reações fortes do público no remake de Renascer. O papel foi de Herson Capri na primeira versão, para quem Brichta ligou assim que recebeu o convite, a fim de “pedir bênção”. Também estreia a primeira novela original da Netflix, Pedaço de Mim, com Juliana Paes. “Estou muito empolgado”, disse em entrevista ao domingo+. Confira os principais trechos a seguir. Você anda afastado das novelas, mas em 2024 poderemos ver suas atuações na primeira produção do gênero da Netlfix e no remake de Renascer, como vilão. Estava com saudade? Como serão seus papéis? Na verdade, eu não estava com saudade de fazer novela, não. Passei um ano entre teatro e especiais. Mas uma boa novela sempre me deixa muito feliz. O que provavelmente será a Renascer. Quanto aos personagens, tanto Netflix quanto Renascer fogem um pouco ao estilo de papel que eu faço com mais frequência. O que para mim é muito legal, porque vira um desafio novo. Sobre a Netflix, não posso falar muito por enquanto. É uma trama familiar, urbana, com as questões que envolvem pais e filhos muito presentes. É um personagem angustiado com as surpresas que o destino traz para ele. Quanto à Renascer, não gosto muito desses estereótipos, o vilão, o mocinho, mas é impossível defender o personagem. É muito difícil não admitir que é um vilão, porque, de fato, ele trata os empregados de um jeito inaceitável. Nos dias de hoje, a gente sabe que isso é trabalho análogo à escravidão. É inaceitável. Só uma pessoa com muita vilania explora a mão de obra, as outras pessoas, a vida humana daquela forma, e ele faz isso. Assedia sexualmente funcionárias, e ainda planeja a morte de quem considera inimigo. Então, esse homem é um vilão, definitivamente. Chama-se coronel Egídio e vai ser bacana poder fazer um personagem em novela que eu nunca havia feito. Seu papel foi do Herson Capri na primeira versão de Renascer. Você falou com ele?A primeira coisa que fiz foi mandar uma mensagem para ele. Que eu estava muito honrado e pedindo a bênção. Ele riu, me desejou sucesso, disse que seria um sucesso. Não só desejou. Profetizou. Espero que assim seja. Então, a gente agora está falando um pouco do futuro, né? Como é fazer um vilão. Ainda não comecei a gravar, então... Não tenho uma resposta muito clara sobre isso. Fiz um personagem já, numa novela das oito, que era um vilão. Que era o personagem Remi, da novela Segundo Sol, em 2018. O vilão, de alguma forma, as incorreções dele dão uma certa liberdade. A imoralidade permite ir a alguns lugares que a gente, como mocinho, não costuma ir. Quanto ao humor, não sei se ele é completamente desprovido de humor. Acho que existe nesse personagem também alguns aspectos cômicos que podem aparecer. De fato, é uma pessoa execrada, mas talvez seja possível rir dela. Vamos ver o que acontece. Como um mineiro criado na Bahia, foi difícil no começo da sua carreira por causa do sotaque? Isso mudou, não é? Hoje as singularidades de cada ator têm sido valorizadas e não pasteurizadas?Comecei a fazer TV em 2001. Eu vinha de uma peça chamada Máquina, do Nordeste. A gente montou a peça em Recife, com sotaque pernambucano, sendo que éramos três baianos: eu, Wagner Moura, Lázaro Ramos, além de Gustavo Falcão e Carina Falcão, estes de Pernambuco. E a gente fazia um sotaque pernambucano. A peça fez sucesso. Isso ajudou aquele grupo naquele momento. Acho que esse trabalho, a nossa geração, foi meio um precursor de uma nova forma de atores nordestinos serem enxergados. Coisa da qual tenho muito orgulho, uma conquista que me deixa muito feliz. Mas não se trata só do sotaque nordestino. Todo sotaque que não se aproxima do carioca ou paulista no universo televisivo, durante muito tempo foi visto com ressalvas, de forma jocosa. Eles eram diferentes do que se costumava ouvir na televisão, que eram os sotaques carioca e paulista. Portanto, gerava certa resistência, um pouco de preconceito, mas isso tem mudado nesses 21 anos, desde que entrei na televisão, e hoje em dia muito mais. Eventualmente, um personagem que se diz carioca, nascido, crescido e criado no Rio de Janeiro, é claro que você precisa estar atento ao sotaque, conseguir reproduzi-lo para que aquele personagem soe verdadeiro. Mas, eventualmente, se não é explicado de onde é esse personagem, onde sua história se passa, os mais diferentes sotaques são aceitos. E isso é motivo para ser festejado. A população acaba se identificando, porque o que a gente faz passa no Brasil inteiro. Você terminou o ano mostrando uma nova faceta, no programa Papo de Segunda, no GNT, ao vivo. Como foi essa experiência?O Papo de Segunda foi uma experiência curta, mas muito feliz. Achei um desafio gostoso de ser feito, que é estar ao vivo debatendo assuntos. A gente vive um pouco de uma polarização, que torna os debates muito mais rasteiros. E tem a questão do cancelamento. Tudo isso faz com que o debate durante uma hora, ao vivo, tenha um sinal de alerta de quem podemos ou não ferir etc. É muito bacana poder exercitar isso e saber que o único caminho é que a gente se agarre às nossas opiniões, às nossas ideias, às nossas compreensões, de forma convincente, mas não definitiva e, principalmente, respeitosa, sabendo valorizar também muito a escuta, além da nossa própria opinião. Foi o que tentei fazer lá e acho, num balanço final, que deu certo assim. O resultado, o retorno que tive foi muito legal. Termino o ano feliz com essa experiência conquistada. Você não possui nenhuma rede social. Dá para estar sintonizado com os assuntos e temas? Por que estar fora das redes? De fato, não tenho. Mas não estou de fora de assunto praticamente nenhum. Porque não estou fora da internet. Acho que na internet a gente acaba tendo contato com a informação, com as coisas mais relevantes que acontecem. Acabam surgindo no noticiário, via internet, via meios de comunicação. Mas as redes sociais não te informam muito bem. Quem acredita nisso está redondamente enganado. Estou convicto do que estou dizendo. As redes sociais fazem com que notícias que sejam divertidas, bombásticas, assustadoras, corram como rastilho de pólvora. E também coisas que não têm relevância nenhuma. Ou seja, para estar bem informado você não precisa tê-las. Você precisa ir aos canais de comunicação, principalmente aqueles que têm checagem da informação, que têm pessoas preparadas para debater, discutir, desenvolver determinados temas. E esses canais são os quais busco para me manter informado. Agora, claro, a piada que rola do dia, essa eu passo ao largo. Tudo bem, às vezes, estou perdendo alguma piada divertida, sei disso. Mas, tenho certeza que não me faz falta. Você é casado com uma atriz consagrada, das melhores da sua geração, Adriana Esteves. Ajuda compartilhar o ofício?O fato de ser casado com uma pessoa da mesma profissão, especialmente Adriana, sendo tão talentosa, reconhecida e festejada por esse talento, claro que facilita muito a vida. A gente divide os temas, debate os assuntos que dizem respeito à nossa profissão, assiste à muita coisa, curte, se emociona junto. Sou muito feliz em tê-la como atriz também. Poderia ser diferente. Se por acaso eu não tivesse reconhecimento do meu trabalho e vice-versa, certamente, essa dinâmica poderia não ser tão confortável. Há mais planos e projetos para 2024? Teatro, por exemplo? 2024 por hora é só dedicação à novela Renascer, que vou começando a gravar. Vai até setembro, talvez agosto, então é muita coisa. Ainda tem o lançamento da Netflix, Pedaço de Mim, que estou muito empolgado com o resultado que tenho visto, à medida que estou indo dublar. E a expectativa é enorme também para ver no ar e ver como é que as pessoas vão se relacionar com essa obra.