[[legacy_image_304530]] Ana tinha 39 anos quando descobriu um câncer de mama com metástase óssea. Gritou, chorou, arreou na cama por seis meses lamentando seu destino. Com uma filha pequena, se desesperou em imaginar não estar aqui para vê-la crescer. Isso se passou há quatro anos. Hoje, Ana conta sua história pelas redes sociais, geralmente sem camisa para, justamente, mostrar sua mastectomia bilateral, revelando que vive sem os dois seios. Você deve pensar, lendo esta história, que Ana está curada. Não, ela não está. Ana convive com câncer de mama metastático, assim como milhares de outras mulheres no País. Mais que uma influenciadora digital, Ana é uma porta-voz que salienta dois pontos importantes: o primeiro é que o autocuidado é fundamental para cuidarmos da nossa saúde. O segundo é que é possível conviver anos com câncer de mama metastático. Para você que não sabe, a metástase ocorre quando as células se desprendem do tumor primário e entram na corrente sanguínea ou no sistema linfático se estabelecendo e crescendo em uma parte diferente do corpo. Foi o que aconteceu com a Ana. Não é fácil receber essa notícia, muito menos conviver com uma doença sem cura. A vida não é mais a mesma. Há, porém, protocolos médicos criados para estender a vida e com qualidade. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, para cada ano do triênio 2023-2025 é de 704 mil casos novos de câncer no Brasil, com destaque para as regiões Sul e Sudeste, que concentram 70% da incidência. Cerca de 10% das mulheres com câncer de mama possuem metástase já no momento do diagnóstico e de 20 a 30% das pacientes diagnosticadas em estágio inicial apresentam recorrência do quadro na forma metastática. Se você ainda acha que a prevenção apenas “está em suas mãos” com o exame de toque mensal, está enganada. A ciência descobriu que a melhor forma de prevenir um câncer de mama é fazer uma mamografia anual, a partir dos 40 anos. Isso porque com o exame de toque não é possível identificar nódulos menores do que 1 cm e, isso você deve saber, quanto mais cedo se descobre um câncer, maiores as chances de cura, que podem chegar a 98%. Você deve estar pensando também, ao ler este texto, que apenas mulheres maduras têm câncer de mama. Realmente, a incidência aumenta com a idade porém, o número de jovens com diagnóstico tem crescido. Um estudo realizado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) revelou que, em 2020, 21,8% dos diagnósticos ocorreram em mulheres com menos 40 anos, contra 7,9% em 2009. Já que estamos quebrando tabus, mais um para você que é mulher e pode ter imaginado que não corre risco porque “ninguém na minha família teve”: a ciência descobriu, já faz um tempo, que apenas de 5 a 10% dos casos são hereditários, por conta de mutações, principalmente nos genes BRCA1 e BRCA2. O restante dos casos ocorre em razão do estilo de vida, ou seja, tabagismo, sedentarismo, obesidade, consumo exagerado de álcool, má alimentação etc. Portanto, levar uma vida saudável faz diferença. Ana não sabia disso tudo quando recebeu o diagnóstico, mas agora ela luta, além de poder criar sua filha, para que outras mulheres se cuidem, olhem primeiro para si e depois para o outro e transformem o Outubro Rosa em um momento de autocuidado e conscientização. “Minha avó, que teve câncer de estômago, acho que morreu já no diagnóstico. Eu não. Decidi viver”. Para quem quiser conhecer essa história linda de força e amor à vida, basta seguir a Ana nas redes sociais: @anaehinsta e @anaehdocontra.