(Divulgação / FreePik) Dormir bem vai muito além de simplesmente descansar o corpo. O sono é um processo biológico ativo, fundamental para o funcionamento do cérebro, equilíbrio emocional e manutenção da saúde física e mental. Mesmo assim, em meio à rotina acelerada, ao uso excessivo de telas e à pressão por produtividade, muitas pessoas acabam negligenciando o descanso, o que pode trazer impactos diretos no humor, na concentração e até na imunidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a neurocientista Carol Garrafa, CEO da Santé, o problema vai além da falta de tempo. “Vivemos em uma sociedade que valoriza quem dorme pouco e produz muito. Mas a ciência mostra exatamente o contrário: sono de qualidade é pré-requisito para performance, tomada de decisão e estabilidade emocional”, afirma. De acordo com a especialista, o sono não é um momento de inatividade. “É quando o cérebro integra vivências, consolida memórias, regula emoções e recarrega a energia mental e corporal”, explica. O que acontece no cérebro durante o sono Durante o sono profundo, o cérebro realiza uma espécie de “limpeza”, eliminando toxinas acumuladas ao longo do dia. Esse processo é essencial para manter o bom funcionamento cognitivo. Já na fase REM, conhecida como a fase dos sonhos, ocorre a consolidação da memória. É nesse momento que o cérebro seleciona informações importantes, descarta o que não é necessário e fortalece conexões neurais. A privação frequente de sono, segundo a especialista, pode trazer consequências a longo prazo, como pior desempenho cognitivo e maior risco de doenças neurológicas. Quantas horas são necessárias A recomendação média para adultos é de 7 a 9 horas de sono por noite. No entanto, a qualidade do descanso também é determinante. “Dormir oito horas de forma fragmentada não é tão eficaz quanto ter um sono contínuo e profundo, mesmo que por menos tempo”, alerta Carol. Cochilo durante o dia: ajuda ou atrapalha? As chamadas “power naps”, cochilos curtos de 20 a 30 minutos, podem ser benéficas, melhorando foco, memória e desempenho cognitivo. Por outro lado, cochilos longos podem prejudicar o sono noturno e devem ser evitados. Impacto direto na saúde mental Dormir mal afeta diretamente o equilíbrio emocional. Isso ocorre porque a privação de sono altera o funcionamento de áreas do cérebro ligadas às emoções, tornando as pessoas mais irritáveis e impulsivas. “Noites mal dormidas estão associadas ao aumento do risco de ansiedade, depressão e instabilidade emocional”, destaca a especialista. Sono, aprendizado e produtividade O descanso também é essencial para o aprendizado. É durante o sono que o cérebro organiza e fixa as informações adquiridas ao longo do dia. Estudar sem dormir, portanto, pode ser ineficiente. “O aprendizado se fortalece quando há pausas e sono adequado”, explica. Dormir bem ajuda até a emagrecer Um dos pontos menos conhecidos é a relação entre sono e controle de peso. Dormir mal afeta hormônios importantes, como a leptina (saciedade) e a grelina (fome), levando ao aumento do apetite. Além disso, o cansaço reduz a disposição para atividades físicas e pode levar a escolhas alimentares mais impulsivas. Uso de telas é um dos maiores vilões O uso de celulares, tablets e computadores antes de dormir prejudica a qualidade do sono. A luz azul emitida por esses dispositivos reduz a produção de melatonina, hormônio responsável por induzir o sono. Além disso, conteúdos estimulantes mantêm o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para dormir. Como melhorar a qualidade do sono Pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Entre as principais recomendações estão: Manter horários regulares para dormir e acordar Evitar telas antes de dormir Reduzir o consumo de estimulantes à noite Criar um ambiente confortável e com pouca luz Tomar banho quente antes de deitar “Dormir bem também exige estratégia. O cérebro responde à previsibilidade e aos hábitos”, reforça Carol.