Dia Mundial do Rim é comemorado nesta quinta-feira (12) (Rogério Soares/ Arquivo AT) Silenciosa e muitas vezes descoberta apenas em estágio avançado, a doença renal crônica vem se tornando um desafio crescente para o sistema de saúde no Brasil. Especialistas alertam que o país enfrenta gargalos importantes no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento, especialmente à diálise, etapa essencial quando os rins perdem grande parte da capacidade de funcionamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Estima-se que entre 3 milhões e 6 milhões de brasileiros convivam com algum grau da doença, muitas vezes sem saber. Isso ocorre porque os sintomas costumam aparecer apenas em fases mais avançadas do problema. Quando não é identificada a tempo, a condição pode evoluir para insuficiência renal, situação em que o paciente passa a depender de diálise ou transplante renal para sobreviver. Crescimento de casos preocupa especialistas Dados de levantamentos nacionais mostram que o número de pessoas em tratamento renal vem aumentando ano após ano no país. Em 2022, havia cerca de 153 mil pacientes em programas de diálise no Brasil, colocando o país entre os que possuem maior número de pessoas dependentes desse tipo de tratamento no mundo. O aumento reflete tanto o envelhecimento da população quanto a expansão de doenças crônicas que afetam os rins. Entre as principais causas da doença renal crônica estão: hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade. Essas condições estão entre os fatores que mais contribuem para a perda progressiva da função renal. Doença silenciosa dificulta diagnóstico precoce Um dos principais desafios no combate à doença renal é o fato de que ela pode evoluir por anos sem sinais claros. Nos estágios iniciais, alterações na função dos rins podem ser detectadas apenas por exames simples de sangue e urina. Porém, muitos pacientes não realizam esses testes regularmente, especialmente aqueles que fazem parte de grupos de risco. Sem diagnóstico precoce, a doença costuma ser descoberta apenas quando já está avançada, momento em que os rins perderam grande parte da capacidade de filtrar o sangue. Gargalos no acesso ao tratamento Outro problema apontado por especialistas é o acesso desigual à diálise no país. A maior parte dos pacientes realiza hemodiálise, procedimento que filtra o sangue por meio de máquinas e que geralmente precisa ser feito três vezes por semana. Apesar de o tratamento ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a expansão da doença pressiona a rede de atendimento. Em algumas regiões, pacientes precisam percorrer longas distâncias para realizar o procedimento. Além disso, a estrutura disponível nem sempre acompanha o aumento da demanda. Impactos na qualidade de vida A insuficiência renal afeta profundamente a rotina dos pacientes. Além das sessões frequentes de diálise, muitos precisam seguir dietas restritivas, controlar o consumo de líquidos e usar diversos medicamentos. Em casos avançados, o transplante renal passa a ser a principal alternativa para recuperar a qualidade de vida. No entanto, a fila por órgãos no Brasil ainda é longa, o que faz com que milhares de pessoas dependam da diálise por anos. Prevenção ainda é o melhor caminho Diante do avanço da doença renal no país, médicos reforçam que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. Entre as principais medidas recomendadas estão: controlar pressão arterial e diabetes, manter alimentação equilibrada, reduzir consumo de sal, evitar automedicação, realizar exames periódicos, Identificar o problema cedo pode retardar a progressão da doença e evitar que o paciente chegue à fase de diálise. Com o aumento da incidência e as dificuldades no acesso ao tratamento, especialistas defendem que ampliar programas de rastreamento e fortalecer a atenção básica são passos essenciais para enfrentar o avanço da doença renal no Brasil.