Comunidade em Ação: Preservação e solidariedade, juntas

Plástico Solidário, de São Vicente, coleta material reciclável e o revende, para compra de cadeiras de rodas e de banho a necessitados

Ajudar o meio ambiente e pessoas com mobilidade reduzida. Um grupo de amigos em São Vicente conseguiu unir as duas ações em um único projeto: o Plástico Solidário. Eles coletam e vendem materiais recicláveis para comprar cadeiras de rodas e de banho que são destinadas para quem precisa. 

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Priscila Leandro, uma das coordenadoras do projeto, explica que, desde julho, voluntários e amigos do projeto coletam e recebem garrafas PET, embalagens e potes plásticos, latinhas e lacres.

Ela, ao lado do marido e de um casal de amigos, mobiliza pessoas que doam os materiais. O objetivo é comprar as cadeiras e emprestar para pessoas que precisam, mas não têm condições de comprar. 

Desta forma, como explica José Luiz Geraldino, também coordenador, o projeto colabora na preservação ambiental, por se fazer a destinação correta dos resíduos, e ajuda na assistência de famílias não só de São Vicente, mas de toda a região. 

E a ajuda deixa marcas que impulsionam o projeto. “Uma das histórias que me marcaram muito foi a de uma enfermeira que suplicou ajuda para um doente terminal. Ele queria passear no bairro em que viveu a vida toda. Naquele momento, não tínhamos uma cadeira boa, apenas três que estavam quebradas”, relembra Priscila. 

Mas o grupo reuniu esforços e, com a habilidade de José Luiz, desmontaram as três cadeiras e transformaram em uma ideal para o passeio do paciente. 

Priscila entende bem a importância do trabalho que faz não só porque vê a gratidão dos beneficiados, mas porque sentiu na pele esse tipo de dificuldade. 

“Meu pai teve um AVC (acidente vascular cerebral) e ficou acamado. Nós mal tínhamos dinheiro para comprar as fraldas para ele. E, por meio de doações, conseguimos uma cama hospitalar e uma cadeira de banho por dois meses”, conta ela. E isso, garante, fez toda a diferença no dia a dia de cuidados. 

Agora, Priscila afirma que se emociona, quase sem acreditar que o projeto faça tanta diferença na vida das pessoas. Isso reflete também na vida dos voluntários. “Fazer o bem também curou a depressão do meu esposo e de mais outros dois colaboradores.” 

Para Neli Ferreira da Silva Geraldino, também coordenadora, participar da ação é gratificante. “Poder ajudar alguém num momento de dificuldade faz bem. Alguns são bem carentes. Outros não, mas, devido à situação de gastos diversos com medicação e fraldas, ficam sem condições. É colocar em prática o amor ao próximo.” 

Dificuldade 

Apesar de contar com parceiros que entendem a importância da ação e ajudam com material, o principal desafio do Plástico Solidário é coletar. 

Hoje, eles têm um parceiro que os ajuda a levar os itens recolhidos para o centro de reciclagem, localizado em Praia Grande. Mas é preciso mais. 

“Hoje, temos bastante gente que junta material, comércio, prédio. Com isso, nossa dificuldade é transporte”, diz Neli.

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