Comunidade em Ação: Pela destinação correta das vidas

Projeto Locomotiva do Bem, em Peruíbe, pretende garantir o descarte correto do lixo reciclável e a dignidade dos catadores

Sustentabilidade não é só uma palavra da moda, mas um conceito atrelado ao futuro das próximas gerações. Nesse cenário, a destinação correta de resíduos é um tema central e poderia alçar catadores de material reciclado a um posto de respeito, principalmente em um país em que a coleta seletiva ainda é deficiente. Isso, no entanto, é algo distante, mas que um projeto trabalha para tornar realidade em Peruíbe. 

O objetivo não é só incentivar o descarte correto de reciclados como garantir dignidade a catadores. 
O projeto Locomotiva do Bem foi idealizado por Talita Guandalini, 34 anos, e surgiu do Trabalho de Conclusão de Curso da pós-graduação em Gestão de Organizações Sociais. O foco inicial, conta ela, era realizar ações que incentivassem a redução do descarte irregular de resíduos sólidos. 

“Mas aí conheci a realidade de muitos catadores que sofrem preconceito e vivenciam, algumas vezes, uma relação desequilibrada com quem compra os produtos”. 

Com um objetivo ambicioso, Talita quer trabalhar para incentivar políticas que regulem o setor, garantindo melhores condições de trabalho. Para isso, o primeiro passo foi iniciar um cadastramento dos catadores da Cidade. Até agora já são 200. 

Cidadania 

Além de realizar uma escuta sobre a realidade desses trabalhadores, o cadastramento aos poucos está sendo uma oportunidade de levar cidadania a eles. Logo Talita percebeu, por exemplo, que alguns não tinham documentos. Assim, o projeto encaminhou cerca de 50 para a Secretaria de Assistência Social. “Essa atenção, o interesse pelo trabalho deles, já faz diferença. O fato de chamarmos eles pelos nomes e dar essa importância à atividade que realizam já os deixa cheios de orgulho”, garante Talita. 

Pandemia 

E foi durante a pandemia que o projeto foi buscar uma parceria importante para ajudar os catadores. Uma ação conjunta com o Pimp my Carroça arrecadou pouco mais de R$ 80 mil em um financiamento coletivo, que se transformaram em um crédito de R$ 650,00 em cartões sociais para 124 catadores. “Muitos tiveram um fôlego a mais para colocar comida em casa ou pagar o aluguel, e outros conseguiram uma ajuda para comprar um celular”, explica Talita. 

Aplicativo

A compra do celular tem sido a esperança de alguns catadores cadastrados no projeto para aumentar o trabalho. Talita explica que o Locomotiva do Bem está incentivando e ensinando os catadores a utilizarem o aplicativo Cataki. 

“É um aplicativo que liga o catador cadastrado a pessoas ou comércios que têm material reciclável para ser recolhido”. 

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