Comunidade em Ação: Aprender não tem idade

Projeto estimula ainda convivência na 3ª idade

Quando a rotina corrida do trabalho é substituída pelos dias livres da aposentadoria e os filhos, que tanto exigem atenção, deixam o ninho vazio, muitos têm dificuldade em reorganizar a própria rotina. Por isso, na Universidade Santa Cecília (Unisanta), o projeto Terceira Idade em Ação ajuda idosos a recalcular a rota da própria vida incentivando a socialização e o aprendizado contínuo. 

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Um dos coordenadores do projeto, Celso Barros Junior, explica que o Terceira Idade em Ação acontece desde 2018 como uma forma de possibilitar que os idosos voltem a estudar. Porém, o principal objetivo é que com isso eles possam não só aprender coisas novas, mas fazer amigos e encontrar felicidade e propósito nesta etapa da vida. 

“Nosso projeto é para possibilitar que eles voltem a estudar, possam conviver com amigos num lugar onde a tristeza nem chega perto, pois o conteúdo das matérias é escolhido a dedo, fazendo das aulas um show de felicidade”. 

Entre os conteúdos ministrados, estão aulas de Rádio e TV, Ecologia do dia a dia, Medicina Ortomolecular e também temáticas ligadas à qualidade de vida e bem-estar como mediação de conflitos, integração social e como viver bem até os 100 anos. 

Dança

Cremilde Martins Tavares é educadora em Saúde e gerontologista. Ela dá aulas de dança no projeto. Ela explica que algumas aulas são feitas sentada permitindo, inclusive, a participação de idosos que têm mobilidade reduzida. 

“É um projeto que tem várias frentes. No caso da dança, ajuda na respiração, na movimentação e também estimula a parte cognitiva e socialização. Fora que colabora com a autoestima”, detalha Cremilde. 

O grupo também organiza passeios e viagens e todo dia 1º de outubro realiza o Gincanamente, para comemorar o Dia do Idoso com festa e muitos jogos. E são jogos que além de divertir estimulam a memória, a interação. No fim, todos ganham algum prêmio ou mimo, afirma Chiou Ruey Ling, psicóloga e antropóloga que dá aulas no projeto. 

“O projeto permite que eles possam encontrar novos amigos, ter um espaço exclusivo para interagir. Isso traz alegria e qualidade de vida”. 

Pandemia

Durante a pandemia da Covid-19, Celso explica que o programa teve que se reorganizar e enfrentar o desafio de atender os idosos em um ambiente virtual. 

“Tivemos que frear as atividades para nos proteger. Por isso, optamos por fazer algumas lives, inclusive, com temas que pudessem ajudá-los durante a própria pandemia”. 

Além disso, Celso conta que também são abertos momentos para que os idosos contem suas experiências e angústias durante a quarentena. Uma forma de aliviar o dia a dia difícil para um público que tem sido ainda mais pressionado neste momento. 

“No início foi um pouco difícil por conta das questões tecnológicas. Mas, com o tempo, eles foram se adequando e isso é importante porque eles não se sentem desamparados. Foi uma forma de acolhê-los”, avalia Chiou Ling. 

Projeto é amparo a mudanças de vida

Valdir Felisberto Souza, 65 anos, encontrou no Terceira Idade em Ação uma ajuda para enfrentar uma nova rotina. “O projeto vem me ajudando muito. Porque quando você está trabalhando, tem sua rotina, tem os amigos do trabalho. Depois que aposenta, tudo muda e, aí, os filhos saem de casa e você pensa: e agora, o que vou fazer?”. 

Agora, Valdir sabe que é possível aprender sobre ecologia, qualidade de vida, fazer amigos, treinar a mente com jogos, além de ampliar seu círculo de amigos. Tudo graças ao projeto. “Está sendo muito importante ter uma atividade e continuar aprendendo”, afirma. 

Agora na pandemia, ele tem acompanhado as atividades on-line e confessa que as aulas que teve no ano passado sobre smartphones, no próprio projeto, fizeram toda a diferença. “Ajudaram muito”. 

Vazio e tristeza

Elio Gouvea Castanheira, 82, e a esposa Mitiko Kaneko, 79, também fazem parte do Terceira Idade em Ação. A ideia foi de Elio, quando percebeu que a rotina esvaziada de Mitiko após a pandemia poderia entristecê-la. 

“Eu ainda saio para trabalhar, mas ela ficava muito tempo sozinha. Então, resolvemos ir juntos”, conta Elio. No fim, as ações têm feito bem para os dois. Elio conta que gostou de aprender coisas novas relacionadas a assuntos que nunca havia pensado em estudar. 

Para Mitiko, a socialização tem sido fundamental. “Achei ótimo, porque depois que aposentei, fiquei muito parada. E, no curso, conheci pessoas novas, aprendi coisas novas e isso é importante em qualquer fase da vida”. 

Após aposentadoria e a saída dos filhos de casa, Valdir aderiu ao projeto (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Perfil

Terceira Idade em Ação

O que é?

O projeto acontece desde 2018 e possibilita que idosos voltem a estudar. São ministradas aulas como Rádio e Tv, Ecologia do dia a dia, Medicina Ortomolecular, por exemplo. Porém, o principal objetivo é que com isso eles possam não só aprender coisas novas, mas fazer amigos.

Onde? 

Universidade Santa Cecília e pelo email celsofuturo@creci.org.br 

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