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Quinta-feira

4 de Junho de 2020

Aumentar o hábito da reciclagem requer novas estratégias e campanhas

Especialista indica campanhas constantes e mais pontos de coleta desses resíduos

É difícil imaginar que a maioria da população hoje não esteja bem informada sobre a importância da reciclagem. Mas mesmo em Santos, umas das primeiras do País a implantar a coleta seletiva, muita gente não separa os materiais. Para Gabriela Otero, coordenadora técnica da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), as campanhas precisam ser constantes. 

“Não podemos pressupor que todos sabem. A comunicação tem que ser renovada e consistente, com campanhas pela internet, redes sociais, abordagem em condomínios, imãs de geladeira. Tem uma série de ferramentas que devem ser usadas para reforçar a necessidade de separação”, diz a especialista.  

Fonte: Prefeitura de Santos e Terracom (Infográfico: Mônica Sobral/AT)

Segundo ela, além disso, é preciso de ter a coleta seletiva com uma frequência correta e garantir novas estratégias para aumentar a adesão. “Há grandes custos para caminhões e toda a logística. É preciso pensar em diversificar para que cidadão os colaborar. Por exemplo cm pontos de entrega voluntária”, diz.  

Gabriela ressalta que é comum as pessoas não saberem diferenciar o que pode ser reciclado. Um exemplo está acontecendo agora durante a pandemia. “Descartam para a reciclagem máscaras de proteção, luva. Isso não pode acontecer. É preciso esclarecer”.  

A coordenadora técnica da Abrelpe afirma que o impacto do material reciclável colocado junto ao rejeito é muito grande e fere a política nacional de resíduos. Ela explica que de todo lixo gerado, apenas 20% deveriam ir para o aterro sanitário. Do restante, 30% é reciclável e 50% orgânico. 

Fonte: Prefeitura de Santos e Terracom (Infográfico: Mônica Sobral/AT)

“Os orgânicos também podem ser aproveitados. Santos é uma das cidades contempladas pelo Governo Federal em um programa chamado Composta Santos. É o início de uma cultura de valorização do orgânico na Cidade”.  

Áreas carentes 

Gabriela Otero explica que em áreas carentes, como palafitas, o trabalho deve ser diferente. Os moradores desses locais já têm uma série de questões para se preocupar, como a falta de serviços básicos. Pedir apenas consciência ambiental não seria o caminho.   

“É preciso engajamento, colocar um valor no comportamento. Se eu quero que as pessoas não joguem pela janela e levem os materiais para os pontos adequados, eu preciso dar estímulos. Há oportunidade de criação de renda, por meio de agentes da própria comunidade, estabelecendo um sistema de trocas”. 

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