Quando a cultura traz um olhar mais generoso

Instituto Arte no Dique oferece cultura e busca melhores condições de vida aos moradores da Vila Gilda

O Instituto Arte no Dique reúne algo que é imprescindível para qualquer atividade cultural: sentimento. É essa sensação que move alunos, professores e movimenta uma engrenagem. E mesmo em meio à pandemia, busca alternativas para dar dignidade aos moradores de uma das áreas mais carentes de Santos: o Dique da Vila Gilda. Mesmo distantes, nunca estiveram tão conectados. 

“Desde março, sabia que era um ano perdido. E a gente está tentando, dentro da nossa capacidade, da nossa competência, dos nossos profissionais, fazer com que o Arte no Dique tenha sequência”, descreve José Virgílio Leal de Figueiredo, fundador e presidente do Instituto. 

Do último intercâmbio de jovens, em dezembro, na Itália, já tinha a sensação de que o coronavírus não tardaria a chegar por aqui. Dito e feito: planos desfeitos, programação modificada. Sai o presencial e entram as oficinas virtuais. E a participação em campanhas solidárias. 

“Nós nos envolvemos em campanhas, como o Baixada Santista Pela Vida, que foi muito importante. Tinha, na época, a projeção de atender mil famílias em toda a Baixada. Só o Arte no Dique atendeu quase duas mil famílias. Fizemos o São João Virtual, também colocando as “barracas virtuais”. Essas festas juninas, nós as realizamos há 15 anos.. Depois trabalhamos com o Lucas Krempel (repórter de A Tribuna e criador do Blog n’Roll) no Juntos Pela Vila Gilda. Foi muito bom ver vários artistas novos de Santos extremamente talentosos e comprometidos com a questão social. Fiquei muito feliz”, celebra.

Inquietude

O período de quarentena não diminuiu o ímpeto de Zé Virgílio. Pelo contrário: as ideias seguem aflorando. Para isso, busca parceiros importantes, para ampliar o acesso não só à cultura, mas a uma vida mais digna para a comunidade. 

“Temos um convênio com a PUC-SP fazendo um projeto que está sendo conversado – por meio da Fundação São Paulo, a organização que faz a administração da universidade. Eles têm um setor que trabalha contatos com instituições internacionais, para conseguir financiamento para projetos sociais”, explica o presidente do Arte no Dique. 

No horizonte, a imple-mentação de um ambulatório para cuidar de perto dos moradores. “Vai ser com médico, enfermeira, psicóloga, para atendimento das pessoas no pós-pandemia. Porque vem a depressão, o desemprego já estava latente. Sabemos que as Organizações Sociais (OS) têm um papel preponderante e fundamental nesse momento. E o Poder Público vai ter que ter parceria para atendimento às pessoas mais vulneráveis”, avalia .

Recalculando rota

O tal “ano perdido” não intimida José Virgílio. Ele reprograma eventos e os adapta, sonhando com um 2021 melhor. Antes, elenca alguns mais próximos. “Agora, em setembro, vamos começar o Som das Palafitas, homenageando Moraes Moreira, que foi uma pessoa muito importante para o Arte no Dique. Faremos ainda nossa Mostra Cultural, que é o resultado de todo nosso trabalho do ano, relacionado às oficinas virtuais. E já fazer um planejamento para nosso intercâmbio internacional, que este ano foi cancelado”, conta. 

E assim Zé Virgílio toca sua vida. A cada vitória do Bahia, seu clube de coração, uma alegria, não maior do que a satisfação de quem faz a diferença na vida de tanta gente. “Vamos sair muito mais fortes desse processo todo. Um país que não preserva sua cultura jamais será uma nação. Mas ela é muito mais forte. E vai vencer”. 

Tudo sobre: