Financiamento do SUS, questão ainda longe da solução definitiva

Diferentes visões e propostas norteiam debate, que traz uma certeza: é preciso mais dinheiro para fazer melhor

"Não se faz omelete sem ovos”, já dizia um antigo ditado. Também não se faz saúde sem investimentos. A adaptação da receita familiar para o cuidado com o SUS é pertinente, especialmente nos tempos atuais. Bancar a boa operAação do Sistema Único de Saúde (SUS) é pedra fundamental para que ele siga em frente. Mas há muita coisa a ser corrigida. E as opiniões sobre o tema são bem distintas.

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Fábio Ferraz, secretário de Saúde de Santos, defende uma maior centralização de recursos na mão dos municípios. “Entendemos e defendemos uma bandeira da maior descentralização destes recursos, para que os municípios possam ter maior autonomia na disponibilidade dos serviços de saúde, de forma geral".

Já Augusto Capodicasa, superintendente da Santa Casa, avalia que uma boa solução seria que o recurso vá direto para a instituição hospitalar. “Se nós olharmos a ideia do SUS, vamos perceber que temos um acesso universal. Agora, precisamos discutir a contratualização de cada equipamento, da sua importância, da sua relevância”.

Paula Covas, diretora-técnica do Departamento Regional de Saúde da Baixada Santista - DRS4, por sua vez, é defensora da revisão e qualificação dos Pactos Interfederativos, respeitando as diferenças loco-regionais. "Na Baixada, temos avançado no fortalecimento das relações, planejamento regional e pactuações, mas ainda temos muitos desafios. No entanto, entendo que é uma construção permanente a articulação, integração, comunicação, participação e solidariedade no SUS".

Filantrópicas

Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, vê com desconfiança o trabalho de algumas entidades filantrópicas, especialmente no que diz respeito ao atendimento do SUS. Ele entende que há uma diferença colossal em determinadas instituições no que é oferecido de forma gratuita e aos usuários de planos.

“Quando a gente fala em financiamento do sistema, é isso: um sistema em expansão de financiamento, que remunera melhor que o Plano de Saúde. Os hospitais ainda não entenderam isso, tratam o cliente do SUS como se fosse ainda um indigente, por uma rua lateral e com uma cadeira quebrada. E monta todo um showroom para tratar o paciente do plano de saúde”, avalia. 

Presidente em exercício do Sindhosfil - Linosesp (Sindicato das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos da Baixada Santista e Litoral Norte e Sul do Estado de São Paulo), Ademir Pestana discorda da visão de Mandetta, no que diz respeito à Baixada Santista. Para ele, os hospitais filantrópicos têm desempenhado bem o seu papel. 

“A fala do ministro pode gerar um mal-entendido para a nossa Região, que tem grandes hospitais como a Santa Casa, a Beneficência, o Santo Amaro. A gente faz uma saúde diferenciada para o SUS. Cadeira quebrada ou coisas do tipo não são a nossa realidade aqui na Região”. 

Ele cita um exemplo vindo da própria Beneficência Portuguesa, da qual é presidente. “Se você vir meia noite, estamos trabalhando no nosso acelerador, atendendo toda a Região, para que pessoas que precisam de radioterapia não fiquem sem atendimento. Não precisaríamos ter estendido este horário, mas a gente faz pelo próprio espírito das Santas Casas e de benemerência”.

 

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