Excelência acadêmica vira trunfo para a Baixada Santista

Cursos de graduação e pós-graduação ligados a Petróleo e Gás fazem da Região um celeiro de novos talentos

A “fórmula mágica” para fazer um setor da economia crescer tem um ingrediente fundamental: capacitação profissional. Conhecer as boas práticas do setor, saber lidar com as diferentes vertentes de um negócio tão amplo como o de Petróleo e Gás exige uma formação qualificada de quem deseja trabalhar com isso. Os participantes do fórum A Região em Pauta entendem o bom nível de formação profissional como um diferencial para a Região.

“Santos tem mais de 30 mil alunos no Ensino Superior, tem universidades de primeira linha, um parque tecnológico. A gente não pode esperar, tem que caminhar. Se, um dia, a atividade do Petróleo e Gás crescer, ótimo. Porque a gente vai estar preparado. Mas é importante a gente avançar nos outros segmentos. Temos o maior porto da América Latina, uma cadeia e um ambiente de negócios grande - agora, a gente chama de ecossistema de inovação. Temos a estrutura da Petrobras, sim. Mas temos que dar um passo”, avalia José Roberto Santos, da GeoBrasilis.

João Ricardo Lafraia, da Petrobras, também reconhece o “capital intelectual” existente na Região. “Temos um excelente curso de Petróleo e Gás da USP. Olha o privilégio que Santos tem: poucas cidades no Brasil tem essa oportunidade”. 

Mudança

No entanto, a Escola Politécnica da USP deve voltar suas atenções para a Capital a partir de 2021, no que se refere ao curso de Engenharia de Petróleo. As atividades dos primeiros quatro anos do curso de graduação passarão a ser oferecidas no campus da USP em São Paulo, já a partir do ano que vem. O espaço disponível no prédio histórico do Cesário Bastos será dedicado aos laboratórios de pesquisa e o curso de pós-graduação que permanecerão no campus de Santos, bem como as disciplinas do quinto ano do curso de graduação no módulo de  Exploração e Produção de Petróleo. 

De acordo com a assessoria da USP, entre as motivações para a transferência dos primeiros anos do curso para São Paulo, estão “a melhoria nos índices de permanência no curso, o oferecimento aos alunos de uma infraestrutura universitária completa em termos de habitação, alimentação e práticas esportivas, e os alunos têm também a possibilidade oferecida pela Universidade de cursar disciplinas de outras áreas. Outra mudança foi a oferta de vagas, que passou de 50 para 35 neste curso, adequação necessária para oferecer uma estrutura de laboratórios no prédio do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo”. 

Os alunos que ingressaram até 2020 no curso de Engenharia de Petróleo em Santos concluem o seu curso na própria Cidade. Já os alunos que ingressarem no curso a partir de 2021 cursarão Engenharia de Petróleo em São Paulo.

A voz da experiência

A Universidade Santa Cecília (Unisanta) também tem destaque na capacitação dos profissionais que lidam com o mercado de Petróleo e Gás. 

O experiente professor doutor Aldo Ramos Santos atua em várias frentes de forma efetiva há várias décadas, colaborando na formação de novos profissionais. Para ele, essa possibilidade de formar alunos versáteis contribui para o ingresso em diversas empresas, como a própria Petrobras. 

“Nós temos duas vertentes principais: a técnica e a ambiental, capaz de colaborar com o desenvolvimento sustentável. O grau de excelência do nosso trabalho nos permite dizer que estamos capacitados a colaborar com a Petrobras para desenvolver um polo petrolífero na Baixada Santista”, frisa Santos. 

Na visão do acadêmico, essa multidisciplinaridade, na visão do acadêmico, passa pela integração das diversas cátedras de Engenharia (Química, Elétrica, Mecânica) e Meio Ambiente– isso sem falar de Fisioterapia, Psicologia, e Educação Física que podem dar contribuições em seus ramos de atuação. 
“Temos condições de trabalhar na produção de petróleo, salvaguardando o meio ambiente, para termos uma atividade realmente sustentável”, complementa o professor. 

Persistência, um atalho para boas carreiras

Retroceder nunca, render-se jamais”. O título de um filme de Jean Claude van Damme poderia ser incluído na dica para os jovens estudantes que estão perto de ingressar no mercado de Petróleo e Gás. A dica dos profissionais do setor é: não desistir, pois as perspectivas de crescimento na atividade são boas.

“Não desista, não. Santos tem uma base da Petrobras, prestador de serviço, base de empresas privadas que estão trabalhando para nós. Além disso, vai ter bases de outras empresas que vão operar na região do pré-sal. Diria que é uma possibilidade muito presente”, argumenta o gerente da Petrobras, João Ricardo Lafraia.

Ele crê, contudo, que o jovem deva ter o desprendimento necessário para ir atrás de onde as oportunidades surgirem. “A quantidade de universidades em Santos é fantástica. Tem uma vocação tecnológica muito importante. Possui uma logística de ensino, de educação fundamental, que interessa para a indústria”. 

Otimismo

O discurso do gerente-geral da estatal vai mais além. Para ele, há motivos para que os jovens acreditem no sucesso de uma carreira promissora.

“Acredito que, com o passar do tempo, a gente vai conseguir chegar a esse futuro que foi desenhado no passado (para a Baixada Santista). E não chegou por uma série de contingências. Então, com a quantidade de descobertas recentes que a gente tem mostrado, o setor é muito produtivo, e as noticias são alvissareiras. Penso que é uma profissão que tenha um futuro próspero. Invista na sua capacitação, na sua formação. As oportunidades virão. Com certeza, quem se dispuser, não vai gastar seu tempo educacional em vão”, encerra Lafraia.

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