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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

'Este é o século do humanismo', defende psicóloga

Sandra reforça a tese de que teremos pela frente um 'novo normal'

Ninguém sairá indiferente ao período de quarentena, quando fomos acuadoas por um vírus ainda sem cura e extremamente perigoso. Porém, as chances de que sejamos melhores quando tudo passar são grandes, felizmente. É o que pensa a professora Sandra Tarricone, do curso de Psicologia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). 

“As consequências da pandemia são de ordem emocional, psíquica e física. Mas, se este está sendo um período duro e difícil, também está nos dando a oportunidade de ‘fazer a lição de casa’ ou seja, estamos tendo tempo de parar e rever o nosso papel como cidadão”, avalia.

Sandra reforça a tese de que teremos pela frente um “novo normal”. “Temos ouvido com frequência que o mundo não será o mesmo depois da pandemia. E não será mesmo, porque a doença antecipou mudanças que já estavam acontecendo, como as relações sociais através da internet, a educação à distância, o home office, a busca por sustentabilidade e a cobrança, por parte da sociedade, para que as empresas e as pessoas sejam mais responsáveis do ponto de vista social. O século XX foi o século da tecnologia. Este terá que ser do humanismo, fazendo com que as pessoas se voltem para questões sociais, humanitárias, repensem as desigualdades sociais, desenvolvam a empatia”, raciocina.

Ajustes

A professora de Psicologia salienta que, assim que cessar a preocupação com a pandemia, não vamos “viver o novo” de imediato. “Acredito que o mundo terá um tempo para se ajustar diante das mudanças ocorridas e depois da doença e deverá ser para melhor. As pessoas tiveram que se reinventar diante da situação do isolamento social. As idas aos shoppings cessaram, as idas ao supermercado, à feira diminuíram ou seja, o consumo deverá ser consciente porque as pessoas perceberam que podem viver com menos coisas. O menos é mais”.

Para Sandra Tarricone, as mudanças de hábito provocadas pela pandemia podem vir acompanhadas de uma mudança de mentalidade de um modo geral. “Os muitos hábitos que adotávamos eram desnecessários. As pessoas estão aprendendo que precisam ser mais resilientes, adaptáveis e flexíveis para viver na sociedade atual. Acredito que muitos de nós saímos da zona de conforto e tivemos que nos reinventar. Somos seres sociáveis por natureza e precisamos do outro para sobreviver e acredito que a compreensão acerca do que é afeto tenha se perdido nesse processo globalizado de ser coisa ao invés de ser pessoa”, diz.

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