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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Economia criativa e também responsável

Cuidados vão além das grandes empresas

Os princípios da responsabilidade social não se restringem às grandes empresas. Eles podem ser ampliados – e exercidos também, pelos pequenos empresários. A chamada economia criativa tem no seu DNA essa preocupação com o mundo. Na Região, não faltam bons exemplos disso. E, quando se unem, representam um sopro de empatia na sociedade.

É o caso do OxiGênio Criativo, que existe desde 2018 e reúne marcas, artistas e projetos com um mesmo objetivo: um mundo mais sustentável e criativo. “Sempre fomos incomodadas com essa questão social e ambiental. Acho que uma coisa não se desconecta da outra. Percebemos quanto era importante juntar os trabalhos com foco ambiental, e reunir todos para mostrar os trabalhos de cada um. A questão social se divide em vários fatores, assim como a sustentabilidade”, conta Andrea Campanilli, responsável pelo coletivo, ao lado de Mariane Costa.

O OxiGênio Criativo reúne os participantes em torno de hábitos que colaborem com o meio ambiente. A rede conta com cerca de 90 participantes. De quebra, estimula o ingresso em novos modelos de economia, como a criativa, a colaborativa, a compartilhada e a multimoedas. “É uma coisa que, nesse momento de pandemia, é ainda mais importante. A gente abre um leque de possibilidades”, vislumbra Andrea. 

Da expansão ao recolhimento

Há dois anos, começaram os eventos presenciais, em locais como o Orquidário e a Estação da Cidadania, em Santos. Também fizeram encontros itinerantes, como em universidades e empresas. De repente, veio a pandemia do coronavírus. E os planos precisaram ser refeitos. 

“Como não podemos no momento trabalhar presencialmente, fortalecemos nossas atividades online, tentando mostrar para as pessoas novas possibilidades. Formamos uma vitrine para continuar mostrando os trabalhos dos artistas da rede, mas também formamos um Clube de Trocas, que vem para estimular o consumo crítico”, reforça a artista visual. 

Ela acredita que as coisas não acontecem por acaso. “Ano passado, começamos a montar o site, e com as atividades presenciais, não havíamos conseguido finalizar isso. Então, fizemos uma vitrine coletiva, para que as pessoas da rede pudessem mostrar seu trabalho. A pausa veio a calhar nesse sentido”.

Mariane e Andrea comandam o coletivo: pela mudança de conceitos (Foto: Arquivo pessoal)

Transformações

Andrea acredita que o atual momento vai forçar uma mudança de postura das pessoas sobre as relações de consumo. “É uma coisa que estamos exercitando agora, para, na hora em que tudo começar a voltar, que isso permaneça. A reclusão está fazendo as pessoas se questionarem sobre os hábitos – consumo, descarte, formas de ajuda”. 

Seu otimismo vai além: se estende às relações interpessoais. “Sou uma esperançosa teimosa. Quero acreditar que a pandemia trouxe uma grande crise, mas também uma grande oportunidade. Tenho esperança de que todo mundo vá se transformar, porque passamos a prestar atenção no que realmente importa”, aposta Andrea.

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