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Quinta-feira

4 de Junho de 2020

Comércio da Baixada perde R$ 1 bilhão em abril, diz sindicato

Mais de 25 mil contratos de trabalhos foram suspensos desde o início da pandemia; setor teme não poder recuperar prejuízo

A intenção do governo do Estado em prorrogar a quarentena na Baixada Santista, classificada como região vermelha – com altas taxas de contágio e mortes por Covid-19 –, acende o alerta para a economia da local. O Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista (SincomércioBS), entidade que representa a classe empresarial nas nove cidades, teme que a prorrogação das regras de isolamento amplie o prejuízo do setor: apenas em abril, o segmento perdeu R$ 1 bilhão. 

A cifra foi calculada pelo presidente da SincomércioBS, Omar Abdul Assaf, a pedido de ATribuna.com.br. Segundo ele, as vendas no comércio regional encolheram 70% em abril passado, em comparação ao igual período de 2019. O índice é simular ao verificado na Capital, no qual a retração no setor foi de 62,8%, devido às restrições de circulação para conter a escalada do novo coronavírus. 

“A Baixada Santista perdeu seu principal motor econômico, que é o turismo. O comércio regional registra, por mês, perdas que superam a R$ 1 bilhão. É um prejuízo que não será recuperado facilmente”, diz. Assaf é uns dos participantes do projeto Região em Pauta, do jornal A Tribuna, na tarde desta quinta-feira (7). 

Assaf destaca que setores comerciais como vestuários, móveis e gastronomia foram os mais afetados na região. “Por um hipermercado pode ficar aberto vendendo fogão e geladeira, e um loja da Rua Amador Bueno (no Centro, tradicional ponto de comércio de móveis) precisa se manter fechado”, questiona o representante regional do setor comercial. 

Com as lojas fechadas, empresários já suspenderam o contrato de trabalho, com base aos parâmetros de Medidas Provisórias (MP), editadas pela presidência da República. Segundo a entidade, são mais de 25 mil trabalhadores do comércio da Baixada Santista nessa situação. “Tivemos mais de 44 mil postos fechados (desde a crise de 2012). Creio que boa parte dessa mão de obra não será recuperada”, diz Assaf. 

A entidade cobra uma flexibilização para o segmento, a partir da próxima semana. Segundo ele, parte do comércio abriria, respeitando regras de distanciamento social e de higienização. “A população está consciente do uso de máscaras e cuidados com as mãos. O comércio quer trabalhar, gerar emprego e recolher impostos”, diz. 

Nesta sexta-feira (8), o governo do Estado deve anunciar regras para a retomada da economia paulista, que deve ocorrer a partir de segunda-feira (11). Essa flexibilização será regional, com base na evolução da curva de contágio e morte por Covid-19, a partir de classificações por cores – zona vermelha (maior risco), amarela (risco elevado) e verde (menor risco).  

Contudo, o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, adiantou que as áreas metropolitanas de São Paulo, de Campinas e da Baixada Santista serão classificadas como regiões vermelhas e é muito improvável que se autorize qualquer abertura gradual na semana que vem. 

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