Aula nº 1: aprender a lidar com a vida e a morte

Desde os bancos da faculdade, estudantes têm contato com os desafios

Este domingo (18) marca mais um Dia do Médico. Tempo de celebrar, mas também de refletir. Nunca estes profissionais foram tão desafiados como nos tempos atuais. A pandemia do novo coronavírus veio para ratificar uma certeza ancestral: cuidar de pessoas, mais que uma necessidade, é um gesto de amor. 

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Pois esse amor é o que une duas gerações de profissionais: os mais experientes e os novatos. A covid-19 os aproximou ainda mais, lançando uma provação extra para quem inicia sua trajetória no ofício. E instituições de ensino que têm cursos de Medicina sabem a importância desse momento profissional.

“Pandemia, nada mais é, do que um processo coletivo daquilo que você vê individualmente, todos os dias, nos hospitais, por diferentes motivos. Ver um semelhante a você ali, que poderia ser seu pai, sua mãe, ou outro parente, te faz entender que é preciso se colocar no lugar do outro”, analisa Ricardo Diniz, diretor do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

Para ele, a assimilação da mortalidade começa cedo, ainda nos primeiros anos de curso, o que garante maior tranquilidade – e não indiferença – ao lidar com a finitude. “Isso já acontece quando ele entra no laboratório de anatomia e se defronta com um cadáver. Uma pessoa como ele, cujo corpo foi doado ao ensino, para aliviar o sofrimento dos demais no futuro”, raciocina. 

Os jovens médicos também são afetados por uma tarefa sempre complicada: comunicar aos parentes a morte de um ente. Marcos Calvo, coordenador do curso de Medicina da Universidade São Judas, em Cubatão, conta que, no terceiro e quarto semestres do curso, existe uma oficina de como o médico deve dar as notícias tristes. 

“A vontade dos profissionais médicos é de salvar vidas, estar sempre à disposição para fazer isso, mas a gente também precisa preparar esse profissional para ter o seu momento de reflexão, de fortalecimento pessoal”, pondera. 

Sem endurecer

Tamanho estresse dos tempos atuais também traz consigo uma outra provação aos jovens médicos: não encarar com “normalidade” ou algo corriqueiro uma morte ou uma lágrima de adeus. Para Felipe Santos, professor de Psiquiatria do Unilus, a chave é: ser humano. 

“O sofrimento é inevitável, mas há diversas formas de lidar com isso. Como noticiar um agravamento ou uma morte? Há formas diferentes de fazer isso. Não dá para se envolver plenamente. Entretanto, de alguma maneira, é preciso compreender o sofrimento daquela família”.

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