Apoio da família ajuda a conciliar profissão e vida pessoal

Plantões e emergências privam a ‘vida normal’

Abraçar uma profissão, fazendo com que ela entre na sua vida de forma tão intensa, pode ser considerado um privilégio. Equilibrar o ser humano com a persona para além dos locais de trabalho, no entanto, é um desafio que atinge vários ofícios. No caso dos médicos, o telefonema no meio da noite ou o longo plantão distante da família são rotinas inescapáveis. Reclamar? Nada disso. 

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Andréa Anacleto Ferrari de Castro, professora de neurologia da Unimes e coordenadora do Centro de Esclerose Múltipla da mesma instituição, sabe bem como funciona esta divisão – ou seria soma? 
Aos 39 anos, casada com um também médico e mãe de dois filhos, de cinco e oito anos, ela contabiliza algumas ausências em festinhas e eventos dos pequenos. Aí, fala mais alto a criatividade.

“Várias vezes perdi festinha de escola. Tive que pedir pra minha mãe levar, gravar e depois eu acompanhar a apresentação. Tenho um filho de cinco anos e outro de oito. Durante esse período, foram inúmeras vezes. Às vezes, estava trabalhando em outra cidade, na volta peguei trânsito e não consegui chegar a tempo”, enumera.

Por sorte, sua prole entende bem seu ofício e sabe que, quando possível, o tempo de Andréa é todo deles. “Eles lidam bem com tudo, sempre carrego eles para todos os lugares. Na faculdade, eles adoram ir ao ambulatório. Entendem bem o que faço. Mas é complicado: como mãe, você fica um pouco chateada de não estar juntinho o tempo inteiro”.

Os outros “filhos”

À frente do Centro de Esclerose Múltipla, ela ganhou uma nova percepção do quanto o trabalho médico cercado de carinho pode fazer diferença na vida de uma pessoa. Assim, o telefone tocar no meio da madrugada deixou de ser um incômodo, mas virou sinal de integração com os pacientes – ou novos “filhos”. 

“Ser mãe trouxe carinho, de cuidado com seus pacientes. Você entende melhor o filho que te liga de madrugada porque aconteceu alguma coisa com a mãe, ou o pai de uma menina que tem esclerose. Porque você entende a angústia, desenvolve empatia por seu paciente e pelos familiares”.

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