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Quinta-feira

4 de Junho de 2020

‘A tecnologia é o meio, não o fim’, explica especialista em educação

Para educadora Elisabeth Tavares, professores não têm capacitação adequada para lidar com tecnologia, mas usam criatividade para atender alunos

Sem os espaços físicos das escolas, fechados por causa da pandemia do coronavírus, professores da Baixada Santista se esforçam para levar o conteúdo aos alunos. Pegos de surpresa, muitos profissionais precisaram aprender a lidar com novas plataformas em tempo recorde. A situação demonstra o quanto é necessário investir mais na capacitação dos docentes. 

“Ninguém sabe como faz, mas algo precisa ser feito (para manter o contato com os alunos). Sem críticas a isso. Mas não pode ser receita para sempre. Porque não existe formação inicial de professores para usar recursos de tecnologia. E, com raríssimas exceções, não tem formação continuada”, diz a educadora Elisabeth Tavares, ex-dirigente estadual de Ensino, doutora em Educação e professora do Mestrado da Unimes.

Ela foi uma das participantes do evento A Região em Pauta, na última segunda-feira (27). O debate no formato virtual teve transmissão ao vivo pelo Facebook do Grupo Tribuna. A mediação foi feita pela jornalista Arminda Augusto, editora-chefe do jornal A Tribuna. O conteúdo da discussão e a íntegra da transmissão está na página do Facebook do Grupo Tribuna.

“Não é porque houve a pandemia que devemos fazer uso da tecnologia. Temos que usar sempre. Os professores são heróis no que estão fazendo, porque foram jogados. E outra, o ambiente virtual não pode ser um repositório: eu coloco lá videoaula, o texto, a atividade avaliativa. Educação não é isso. Se não tiver a relação da conversação, não vai se concretizar efetivamente”, aponta Elisabeth. 

Para ela, o contato com o professor é mais importante do que a lição. Para a educadora, não é certo só passar atividades para os pais ajudarem os filhos. É interessante preservar a rotina que o aluno tinha na escola e falar com o professor, que é uma referência, nem que seja meia hora por dia. 

“Eu li um artigo de uma mãe desesperada que tinha que correr todo dia para dar conta de fazer as coisas da escola com o filho. E aí ocorriam brigas. É um crime isso. Eu vivenciei um absurdo: minha neta, que está no nono ano, oito horas na frente de um computador. Está errado, não pode”.

A educadora afirma que não há transposição do ensino presencial para o a distância. Cada um tem duas especificidades. “A transposição é o maior erro que estamos cometendo no momento. A tecnologia é o meio, não o fim”. 

Elisabeth Tavares acredita que o ano letivo não precisa ser igual ao ano civil e no futuro o conteúdo pode ser recuperado. Ela questiona se os estudantes estão, de fato, aprendendo de forma remota. Outra preocupação da educadora é com as desigualdades sociais. Ou seja, nem todos têm acesso à tecnologia para receber os conteúdos. 

“Tem famílias com três filhos e um computador, como faz? E os moradores das comunidades carentes, que nem janela para tomar sol têm? Estamos vivendo um desafio que jamais vivemos. Quando ouvimos as autoridades de saúde dizerem que não tem remédio, não tem vacina para o coronavírus, não é diferente na educação. As escolas não estavam preparadas”. 

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