EDIÇÃO DIGITAL

Segunda-feira

18 de Março de 2019

Zagueiro-artilheiro do sub-15 do Santos, Kaiky diz se inspirar em Sergio Ramos e Gustavo Henrique

Kaiky Fernandes é uma das promessas da base do Santos. Em entrevista à Tribuna On-Line, ele revelou suas inspirações no futebol e contou os planos para o futuro

É uma tendência do futebol moderno que defensores joguem mais avançados. Kaiky Fernandes, da equipe sub-15 do Santos e da seleção brasileira, é um dos atletas brasileiros que seguem a proposta ofensiva mesmo sendo zagueiro. Com quatro gols anotados na última temporada, ele quer continuar fazendo com que a bola encontre o fundo das redes este ano. E mais: deseja um dia, ser como Sergio Ramos.

Nascido em Santos, Kaiky é uma das promessas da base do Peixe. O jovem tem 15 anos e diz ter como inspiração o beque do Real Madrid e da seleção espanhola. "Acho o Sergio Ramos um zagueiro muito completo, muito técnico. Ele tem raça, desarma bem, é competitivo. É muito bom. É meu ídolo e eu espero chegar perto do nível dele um dia", revelou em entrevista à Tribuna On-Line.

E as características de jogo de Kaiky - e de personalidade dentro das quatro linhas - levam a crer que ele está no caminho certo para ser como o espanhol. O menino da Vila, assim como o camisa 4 do time da capital espanhola, carrega a braçadeira de capitão. Ele se autodefine como um defensor central técnico e que não tem medo de jogar. Aliás, não só ele. Seus treinadores também o avaliam desta forma. 

"Sou aquele zagueiro que acha o meio-campista toda hora entre linhas, acha o atacante no lançamento, tem saída de pressão, bom passe, que desarma. Se precisar driblar o atacante, eu driblo. Não tenho medo de jogar", falou o santista, cujos 1,80m de altura o auxiliam a se destacar também no cabeceio.

Mais perto de sua realidade, há um outro jogador que o inspira na posição em que joga: Gustavo Henrique, do time profissional do Santos. "Gosto muito do futebol dele. Também é um zagueiro técnico, que também cabeceia bem".

No início de sua trajetória no Alvinegro, Kaiky chegou a jogar como volante, mas, um dia, um de seus treinadores resolveu testá-lo na zaga e lá ele ficou. "Um técnico me disse que precisava de uma firmeza na zaga e me colocou de zagueiro. Ainda hoje, faço alguns jogos na volância, mas a maioria é na linha defensiva", contou o camisa 6 da categoria sub-15 santista.

Zagueiro-artilheiro

Na temporada passada, o defensor acumulou quatro gols ao longo de todo o ano. Todos foram marcados na fase de grupos do Campeonato Paulista Sub-15, no qual o Santos avançou até a semifinal, quando foi eliminado pelo Palmeiras.

"O objetivo é continuar balançando as redes. Por ano, eu sempre tenho a meta de, no mínimo, fazer três gols. Pretendo aumentar essa meta. E é o que eu sempre falo: nós zagueiros não temos muitas chances de marcar, mas quando temos oportunidade de subir para a área, na bola parada, temos que aproveitar", comentou.

Legenda: Kaiky em ação durante jogo contra o Palmeiras pelo sub-11 (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Início no futebol

A relação entre Kaiky e o Santos é de longa data. Aos seis anos, ele entrou no meio de futebol após ser aprovado pelos técnicos na escolinha Meninos da Vila. "Meus pais falaram: 'filho, escolhe qual esporte você quer fazer'. Eu, então, escolhi o futebol", relembrou. 

Após um tempo na escola de formação do Alvinegro, ele fez um teste no Portuários e treinou lá durante um ano, até o dia em que um olheiro do Santos o notou durante um campeonato e o levou para as categorias de base do clube: "Joguei futsal por um ano no Santos e, depois, fui para o campo, quando um treinador me viu e pediu que eu fizesse um teste".

Seleção brasileira

O zagueiro classifica 2018 como seu "ano ruim" no sub-15, já que, no ano passado, ele tinha 14 anos. Sua última temporada, no entanto, de ruim não tem nada. Foi nela que aconteceu a primeira convocação para a seleção brasileira. E, desde então, já foram quatro aparições em listas da CBF para representar o Brasil na categoria em que compete.

"A primeira vez que me chamaram foi meio que às pressas. Só recebi a notícia três dias antes de me concentrar, porque jogadores com um ano a menos não aparecem no site oficial. Quando o clube me avisou, fiquei muito feliz e comemorei muito com minha família", recordou. "Nem eu e nem meus pais acreditávamos que eu pudesse chegar onde eu estou".

Apesar de ter sido convocado cinco vezes, Kaiky só pode se juntar aos selecionados em quatro oportunidades, que foram todas para disputar amistosos importantes - todos vencidos pelo Brasil, aliás -, como contra o Chile e México. Em uma das convocações, ele acabou não sendo liberado pelo clube, já que o sub-15 santista disputaria uma competição na Coreia do Sul.

Legenda: Além de ser líder no Santos, Kaiky também carrega a faixa de capitão na seleção (Foto: Divulgação/Kaiky Fernandes)

 

 

A mãe do atleta, a manicure Ivanilda Melo, não contém a emoção ao falar sobre a estrada que seu filho tem percorrido no esporte. "A gente não imaginava que ia acontecer tudo isso, de ser chamado para a seleção. Foi acontecendo tudo naturalmente. Começou em uma brincadeira, e olha no que deu?", disse ela.

Amigos do Flamengo

Há duas semanas, a tragédia no Ninho do Urubu, o centro de treinamento do Flamengo, deixou dez vítimas e abalou o país inteiro. Dois dos meninos que morreram no incêndio, o zagueiro Arthur Silva e o goleiro Christian Esmério, eram grandes amigos de Kaiky. Ele também tem amizade com um dos jovens que conseguiram escapar, o meia Felipe Cardoso, com quem jogou junto na base do Santos.

"Eu conhecia o Arthur e o Christian. Jogamos juntos na seleção brasileira. Foi muito chocante. Fui pego de surpresa aquele dia. Minha mãe me acordou chorando. É uma pena isso ter acontecido. Graças a deus, o Felipinho conseguiu se salvar. Fico feliz por ele, mas triste pelos outros que eram grandes amigos meus e eu os amava muito", lamentou. 

Futuro

Recentemente, o Santos promoveu Kaio Jorge, agora com 17 anos, à equipe principal. Cria da base, ele assinou seu primeiro contrato profissional aos 16 anos. "Ele é um grande exemplo para nós, um ótimo atacante. Vi ele jogando nas categorias de base e ele realmente mereceu ser promovido. Gosto muito dele e de sua família", afirmou o zagueiro-artilheiro.

 "Mas falando sobre mim, acho que tudo acontece no seu tempo. Quando eu subir, vou dar meu máximo e lutar sempre para honrar a camisa do Santos. Mas penso que não seria certo ir para o profissional agora. Tanto para mim quanto para minha carreira é muito importante ganhar experiência na base para chegar lá bem desenvolvido", assumiu Kaiky, que disse também que precisa ganhar muito na base ainda para chegar no time principal "completo".

Por ora, ele quer focar em seu desempenho nas categorias de base do Peixe e continuar sendo lembrado nas convocações para a seleção sub-15. "Este ano é recheado de campeonatos. Quero estar no Sul-Americano da modalidade no segundo semestre e ganhar títulos", concluiu.