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Domingo

17 de Novembro de 2019

Há 10 anos, Sereias eram campeãs da Libertadores com time histórico: 'Momento único'

Com campanha invicta e 43 gols em seis jogos, time feminino do Santos conquistou a América em 2009 tendo Marta, Cristiane e outras jogadoras de peso

Era a primeira edição da Copa Libertadores Feminina. Dez equipes sul-americanas, de países diferentes, entraram na briga pelo título. O Santos era o Brasil no torneio, e, naquele 18 de outubro de 2009, se tornou a América. Há 10 anos, as Sereias da Vila se consagravam campeãs continentais com um time que ficou marcado na história do clube.

Com Cristiane, que terminou a competição no topo da artilharia, com 15 gols, Marta, segunda maior goleadora daquela Libertadores, contabilizando sete tentos, Érika, Maurine, Ketlen, Aline Pellegrino, Carol Arruda, Suzana, Dani, Fran e outras jogadoras de talento, o Peixe, comandado pelo técnico Kleiton Lima, fez uma campanha invicta e totalizou 43 gols em seis partidas.

A final foi contra o Universidad Autónoma, do Paraguai. Pouco mais de 14 mil pessoas presenciaram um show das donas da casa na Vila Belmiro. Embora o Santos estivesse sem a artilheira Cristiane, expulsa na semifinal, diante do Formas Íntimas, da Colômbia, após comemoração de seu segundo gol, um placar acachapante de 9 a 0 foi construído por oito atletas diferentes.

Naquela época, Marta já havia sido eleita melhor jogadora do mundo três vezes. Em 2009, ela jogou pelas Sereias da Vila emprestada durante três meses, de setembro a dezembro. A passagem rendeu outros títulos além da Libertadores: o do Campeonato Brasileiro, do qual foi a maior goleadora (18 gols), e do Paulista.

E não foi só nas conquistas que tangem ao jogo que Marta foi importante. Fora de campo, sua transferência ao Peixe conferiu visibilidade ao futebol feminino brasileiro e foi um marco dentro do clube, porque, a partir daquela temporada, o Santos desassociou a modalidade do Departamento de Esportes Olímpicos e criou um departamento único para o futebol das mulheres, com profissionais designados a trabalhar exclusivamente com as atletas. O clube foi pioneiro neste sentido, se tornando referência.

Símbolo do time feminino do Santos e atleta que lidera a artilharia em toda a história da equipe, Ketlen ainda dava seus primeiros passos no futebol quando disputou aquela Libertadores. A atacante, que está próxima de chegar ao gol centenário com a camisa alvinegra, tinha apenas 17 anos. A idade pouco importou na grande decisão, quando ela chamou a responsabilidade e fechou a goleada do Peixe sobre as paraguaias.

"Foi uma emoção muito grande. Eu tava jogando ao lado de muitas atletas de nome, e poder fazer parte daquele grupo, para mim, era muito gratificante. Cresci muito com elas, aprendi muito, e foi um dos momentos mais importantes da minha carreira. E ainda mais com a Vila Belmiro lotada. Ver aqueles torcedores. Foi a primeira vez que vi tanta gente no estádio torcendo pra gente. Foi um momento único", descreve Ketlen.

Daquele elenco, apenas ela e Maurine permanecem nas Sereias da Vila. Este ano, as alvinegras não estão participando da Libertadores, que tem o Corinthians e a Ferroviária como representantes brasileiros. No ano passado, o Santos foi vice-campeão do torneio continental.

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