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Sábado

19 de Outubro de 2019

Ex-Santos e Palmeiras, César Sampaio se divide na torcida e não aponta favorito

Direto de Singapura, o auxilar pontual da Seleção Brasileira avalia o duelo entre Jorge Sampaoli e Mano Menezes

Revelado nas categorias de base do Santos e multicampeão pelo Palmeiras, o ex-volante César Sampaio, hoje auxiliar pontual do técnico Tite na Seleção Brasileira, estará com o coração dividido na noite desta quarta-feira (9), quando as  equipes se enfrentarão, às 21h30, na Vila Belmiro, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Torcedor do Palmeiras desde criança, mas grato ao Santos por ter participado da formação do seu caráter como atleta e ser humano, Sampaio não vê favorito neste clássico.

Segundo ele, enquanto o Peixe terá que superar os cinco desfalques (Soteldo, Derlis González, Cueva, em suas respectivas seleções; Felipe Jonatan, na seleção olímpica do Brasil, e Evandro, suspenso) o Verdão terá que lidar com a pressão de atuar na Vila.

“O elenco do Palmeiras tem mais opções para reposições. Então, teoricamente, com esses desfalques o Santos fica mais fragilizado. Porém, os jogadores que entrarão não irão ferir muito o modelo de jogo do time,  pois o Sampaoli prepara  todo o grupo da mesma maneira, sem titulares ou reservas. Além disso, jogando em casa é a chance de esses jogadores mostrarem que têm condições de serem titulares”, diz o ex-jogador, em entrevista exclusiva para A Tribuna, direto de Singapura, onde a Seleção Brasileira fará amistosos contra Senegal e Nigéria, na quinta-feira e no domingo, respectivamente.

César Sampaio também chama a atenção para o confronto entre os  treinadores. De acordo com o auxiliar pontual da Seleção, o clássico marcará o encontro de treinadores que têm a bola e o espaço como referências.

“O Sampaoli constrói o jogo da frente para trás, enquanto o Mano desenvolve a partida de trás para frente. O Mano gosta de ter a defesa mais organizada, mais compacta. Ele tem o espaço como referência. Já o Sampaoli tem a bola como referência. Muitas vezes, o Santos não corre para trás. Quando perde a bola, tenta não deixar ela sair do lugar. Tenta recuperá-la no ataque para pegar as defesas adversárias desorganizadas”, detalha Sampaio.

 

Felipe Melo ou Diego Pituca?

Volante titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da França, em 1998, Sampaio, como jogador, se vê numa mistura de dois meio-campistas que estarão em campo nesta noite: Felipe Melo e Diego Pituca.

“O Felipe (Melo) é o eixo central da marcação defensiva do Palmeiras. O Clodoaldo (ex-jogador do Santo) me ensinou muito sobre isso. Me mostrou que o posicionamento de um volante acaba organizando ou desorganizando um time. E o Felipe tem muita noção disso. É um jogador que destrói e constrói. O Pituca é mais móvel. Ele compensa um posicionamento que não é ideal correndo um pouco mais. Quando passa do meio de campo, não se aperta. Tem bom passe, finaliza, consegue achar a linha de passe para servir aos atacantes. Acho que fui um intermediário deles”.

Na Seleção, Sampaio tem trabalhado junto com o auxiliar-técnico Cleber Xavier (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Carinho pelos dois times

Apesar de ter atuado nos quatro grandes times de São Paulo, Sampaio tem a imagem mais associada a Santos e Palmeiras. E o ex-volante não esconde o carinho que tem pelos dois clubes.

“Sou o que sou hoje por conta do Santos. Os meus princípios, valores, caráter, a minha formação intelectual e educacional eu absorvi dos meus pais, da igreja e do Santos, que me formou como atleta e ser humano. Guardo ótimas lembranças do Santos. Foi o clube que me deu a primeira oportunidade, moradia na concentração, o meu primeiro contrato profissional e amigos como o Serginho Chulapa, que me adotou e me ajudou em todas as dificuldades”, se declara ele.

“Já no Palmeiras foi onde conquistei grandes títulos. Tive a benção de Deus de ser o capitão da conquista mais importante do clube, que é a Libertadores, e isso marcou muito”, conclui o ex-jogador.

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