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Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Destaque no Campeonato Carioca, Yaya Banhoro torce por chance para brilhar no Santos

Atacante de Burkina Faso pertence ao Peixe desde 2017 e estava emprestado ao Bangu

Nem todos os torcedores sabem, mas o Santos tem à sua disposição um jogador de Burkina Faso, um pequeno país da África Ocidental. Trata-se do atacante Yaya Banhoro, de 23 anos, que foi um dos destaques do Bangu, semifinalista do Campeonato Carioca deste ano. O jovem, que tem convocações para a seleção do seu país, defendeu a equipe emprestado pelo Peixe até o fim do Estadual. Com o encerramento do vínculo, ele volta à Vila Belmiro e sonha em receber uma chance do técnico Jorge Sampaoli.

A trajetória de Yaya no Brasil começou no Londrina, aos 18 anos. Ao representar a seleção sub-20 de Burkina Faso, ele despertou interesse nos dirigentes paranaenses, que apostaram na sua contratação.

“Foi uma grande felicidade saber que meu futebol chamou a atenção aqui no Brasil. O Londrina foi meu primeiro clube, em 2014. Em agosto de 2017, o Santos me contratou”, disse o atleta para A Tribuna On-line.

Yaya, como é chamado desde que chegou no Brasil, tem passagens pela seleção de base de Burkina Faso (Foto: Arquivo)

Sem espaços no time profissional do Peixe, o atacante, que joga pelo lado direito, atuou nas categorias de base até o ano passado, quando foi emprestado para a Ponte Preta visando à Série B do Campeonato Brasileiro. No entanto, uma lesão no metatarso do pé esquerdo atrapalhou seus planos.

O jovem não desanimou. Após se recuperar, veio a proposta do Bangu para a disputa do Carioca. E Yaya não tem do que reclamar. Apesar da eliminação para o Vasco na semifinal, conseguiu chamar a atenção de alguns clubes do Brasil. Por isso, não tem dúvidas em afirmar que vive a melhor fase da sua carreira profissional.

“É o meu melhor momento desde que cheguei no Brasil. Tenho me sentido muito confiante. Foi incrível jogar essa temporada pelo Bangu, que montou um grupo espetacular. Fico feliz em poder ter feito parte dessa campanha que colocou o clube de volta na disputa de um grande campeonato brasileiro [Copa do Brasil de 2020]”, diz o atacante, que participou de dez partidas e marcou dois gols.

Desejo de ficar 

Com o fim do Campeonato Carioca, Yaya aguarda um posicionamento do Santos para saber se permanecerá para receber uma chance ou será, de novo, emprestado até o encerramento do vínculo, que termina no fim deste ano. Mesmo diante das sondagens que recebeu (o Botafogo e outros clubes demonstraram interesse em contratá-lo), no que depender da vontade do atleta o futuro será vestindo o uniforme do Alvinegro.

“Tenho contrato com o Santos até o final desse ano. Seria uma honra ter a chance de jogar na equipe profissional desse clube para a disputa do Campeonato Brasileiro. Mas vamos ver o que vai ser definido para a minha carreira. O Santos é um clube conhecido em todo o mundo. Lá em Burkina o povo conhece bastante por causa do Neymar e do Pelé, que é o melhor de todos os tempos”, declarou.

Futebol burquinense

Com algumas convocações para a seleção de Burkina Faso, Yaya Banhoro, assim como todos os atletas do país, tem como grande sonho conquistar uma vaga na Copa do Mundo e sagrar-se campeão da Copa Africana de Nações. E, segundo ele, o futebol por lá tem crescido a ponto de fazer o povo sonhar com esses objetivos.

Antes de ser contratado pelo Londrina, Yaya - com a bola nos pés - jogou pelo Kozaf, time amador de Burkina Faso (Foto: Arquivo)

“O futebol no meu país não é tão atrativo como aqui no Brasil, mas o povo é muito apaixonado pelo esporte. O maior sonho de todos lá em relação ao futebol é que um dia possamos jogar a Copa do Mundo ou ganhar a Copa da África. Ficamos perto nas duas últimas fases de classificação. O futebol em Burkina está crescendo e espero que possamos nos classificar para o Mundial em um futuro próximo”, diz o jogador, que aponta Bertrand Traoré, camisa 10 do Olympique Lyon, da França, como o maior jogador do país.

Além da oportunidade com a camisa do Santos, Yaya não esconde que o grande objetivo que tem na carreira é, assim como outros jogadores africanos, chegar a um grande clube europeu e ser mundialmente famoso. 

“Me inspiro em atletas como Drogba [da Costa do Marfim] e Eto’o [de Camarões], que fizeram história no futebol e são ícones na África. Espero um dia chegar ao nível deles e quem sabe, ser até mais reconhecido”, finaliza

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