Cuca valoriza meninos, enaltece torcida e mira a glória eterna: 'A meta é ser campeão'

Em entrevista exclusiva para A Tribuna, o treinador garantiu que os atletas farão de tudo para dar ao Santos o quarto título da Libertadores

Responsável por colocar o Santos na final da Libertadores, que será disputada no próximo dia 30, no Maracanã, contra o Palmeiras, o técnico Cuca bateu um papo exclusivo com a Reportagem de A Tribuna. Orgulhoso dos jogadores e do objetivo alcançado, o treinador garante que ele e os atletas farão “o máximo do máximo” para dar ao Peixe o quarto título da principal competição do continente.

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Você é mais psicólogo, dirigente ou treinador nessa passagem pelo Santos?

Treinador! Eu agi pontualmente nos casos do Everson e do Sasha, porque a gente estava sem diretor, mas foi mais como amigo dos jogadores, para explicar os lados bom e ruim da história. Agi como amigo do Alexandre Mattos – gerente de futebol do Atlético-MG na época – que era quem queria os dois e fez a negociação, como amigo que sou do Atlético-MG. Servi dois baita jogadores e como amigo dos meus jogadores para poder reverter esse dinheiro em pagamentos para eles. Então fui isso, que não sei se é administrador ou sei lá o quê. Mas foi mais por amizade. Depois voltei para o campo, e ali fica tudo mais fácil pra mim. 

Esse é o grupo mais 'barato' com que você trabalhou e com o qual chegou mais longe. Como fez para convencer os jogadores de que era possível vencer?

Com conversas, atitudes e passando para eles exemplos daquilo que a gente já viu e viveu na carreira. Quando reúno eles no auditório e falo que temos que ficar em oitavo do Campeonato Brasileiro e chegar na final da Libertadores, isso é projeto. E estou falando desse projeto desde o dia em que me apresentei. Hoje estamos em oitvo no Brasileiro (em nono, na verdade, perdendo o oitavo lugar para o Corinthians no saldo de gols) e na final da Libertadores. Ou seja, estamos perfeitamente dentro do projeto que a gente colocou para os atletas. Além disso, fazer eles me escutarem e acreditar nessa ideia. 

Prefere comandar um time desacreditado ou um time favorito, com grande investimento?

Eu sei trabalhar com os dois. O desacreditado, com apenas 4% de chance, como o Alison falou, que virou 5%, depois 10% e agora está em 50%, mas sei trabalhar com jogadores que estão por cima também, dar um puxão de orelha, uma freada na hora certa. 

Você vinha de um trabalho ruim no São Paulo, enfrentou problemas de saúde – seus e da família – e agora pode se igualar a Lula, Telê, Autuori e Felipão como bicampeão da Libertadores. Já parou para pensar nessa trajetória?

Não foi ruim. Eu saí do São Paulo e nós estávamos em quinto lugar. Eu, naquele momento, senti que a equipe podia dar uma alavancada e eu não estava com gás para aquilo. Chamei o Raí e expliquei. Ele foi contra a minha demissão, mas pedi e acabamos entrando num acordo. Mas nunca penso em mim. Penso nesse torcedor, como vi ontem um vídeo numa quadra, em São Paulo. A gente representa esses caras e não consigo pensar em mim. Penso neles. Quero ser campeão para eles. Quero dar esse título para eles, e vou fazer o meu máximo para conseguir esse título. Deus permita que o meu máximo e o máximo dos jogadores sejam suficientes. 

O apoio demonstrado pela torcida na porta do CT foi essencial para a atuação e a vitória sobre o Boca Juniors?

Os funcionários do clube estavam falando que nunca tinham visto algo parecido com o que foi feito, de levar do CT à Vila Belmiro. Ficou bacana. Tem que ter cuidado, usar máscara para não pegar essa doença. Se isso vier a ocorrer novamente, peço que todos façam o uso das máscaras. Tem que ter cuidado e cuidar da saúde. 

Como funcionou a participação do Pelé na preparação da equipe para o jogo contra o Boca? Você que teve a ideia de convidá-lo?

Sim, foi ideia minha. Foi uma gravação, um áudio muito bacana. Fizemos isso para homenagear o Pelé. Para ganhar e homenageá-lo. Ninguém sabe o teor, é um segredo nosso. Mas uma das coisas que ele falou é de que temos que ter Deus em primeiro lugar. 

Antes do jogo contra o Grêmio você trouxe o Zé Roberto, e contra o Boca conseguiu um áudio do Pelé. Para a final teremos a participação de mais algum ídolo?

A decisão está longe ainda. Não temos ideia por enquanto. E estamos falando de uma final, não sei se precisa de motivação maior do que estar na final. Não é motivação que você cria, de repente é a concentração do jogador. Ele se concentrar naquilo que vai fazer em campo. E, numa final, acho que não é necessário tentar criar uma motivação a mais. 

O que dá pra falar desse Palmeiras que vai encontrar no Maracanã, no próximo dia 30?

É um jogo muito igual. Por ser uma decisão, já tem uma igualdade. Em se tratando de um clássico, essa igualdade fica ainda maior. E, por ter a rivalidade que já tem entre os times, dobram todos esses ingredientes. São duas potências, dois grandes clubes, com duas grandes massas de torcida. Não tem favorito.

O que fez você ter a certeza de que estaria na final da Libertadores, como vinha falando para os jogadores

Confiança. Você tem que ter confiança e passar confiança. Uma vez, falei para o elenco do Palmeiras e para toda a imprensa que seríamos campeões brasileiro. Era um elenco em formação. E fomos campeões depois de 22 anos. Para esse grupo, avisei que iríamos chegar na final da Libertadores e chegamos. Agora, nós temos outra meta, que é ser campeão. Vamos fazer o máximo do máximo para conseguir.

Faltam 15 dias para a decisão e alguns jogos do Brasileirão. Dá para focar nessas partidas ou inevitavelmente o pensamento já está no Maracanã?

Tem que focar e acabar na melhor posição possível. Respeitar o Campeonato Brasileiro e todas as equipes, pois cada time tem uma luta. O Botafogo, por exemplo, tem uma luta, o Fortaleza tem outra, o Coritiba também tem e eles serão nossos adversários. Depois vamos pegar um pelotão mais de cima, que tem outros objetivos, e temos que respeitar tudo isso.

Depois de tudo o que viu e viveu na quarta-feira, qual o recado que você deixa para o torcedor do Santos?

Eu quero agradecer a confiança que eles têm nesses meninos. Fico pensando no quão feliz os torcedores devem estar por ver esse pessoal representando eles dentro de campo. Com todas as dificuldades que os atletas têm aqui, e não são poucas, acabou o jogo e esses jogadores cantaram o hino do clube... Eles podiam cantar qualquer música, mas escolheram cantar o hino do Santos. Foi muito legal, a gente vai no embalo e o torcedor do Santos deve estar muito feliz. Precisam tirar o chapéu para esses meninos. Eles estão sendo santistas de verdade.

Em caso de título da Libertadores, já se imagina no muro do CT Rei Pelé?

(Risos) Não, isso não é pra mim. Isso é para ídolos. Se eu puder deixar uma lembrança boa aqui já está bom.

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