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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

A conquista do tricampeonato: Meio século da maior seleção do mundo

Clodoaldo e Edu, ex-jogadores do Santos e da Seleção Brasileira de 1970, relembram a conquista do Mundial disputado no México

O dia 21 de junho pode ser considerado um marco na história no futebol mundial. Afinal, há exatamente 50 anos, o Brasil, no estádio Azteca, na Cidade do México, no México, conquistava a sua terceira Copa do Mundo depois de golear a Itália por 4 a 1 com uma atuação de gala, que definiu aquela como a maior seleção de todos os tempos. 

Para o torcedor do Santos, a conquista teve um sabor especial. O Peixe foi o clube que mais teve jogadores convocados pelo técnico Mario Jorge Lobo Zagallo. Ao todo, cinco foram os representantes alvinegros no Mundial: Carlos Alberto Torres, Joel, Clodoaldo, Pelé e Edu.

Titular daquele esquadrão que venceu os seis jogos da Copa e autor do gol de empate no difícil confronto contra o Uruguai, válido pelas semifinais, e que o Brasil venceu de virada por 3 a 1, Clodoaldo fala com muito orgulho daquela equipe.

“A verdade é que foi um privilégio ter participado daquele time. Aquela é a Seleção Brasileira que mais deu orgulho para o torcedor brasileiro. Acho incrível quando encontro pessoas nas ruas que não assistiram àquele time, mas falam a escalação inteira. Poxa, isso não tem preço”, diz o camisa 5 do tri.

Para Clodoaldo, existem dois momentos individuais que jamais sairão da memória. O gol contra os uruguaios e o início da jogada, no campo de defesa, contra a Itália, em que driblou quatro adversários e originou o lance que terminou com o gol de Carlos Alberto, o quarto da vitória.

“Acredito que os dois momentos marcaram muito. O gol contra o Uruguai foi importante, porque nós carregávamos a pressão da final de 1950 (o Brasil perdeu no Maracanã, de virada para os uruguaios). Só se falava disso às vésperas do jogo, mas a gente não tinha participado daquela derrota. Eu tinha acabado de nascer em 50. Então, aquele gol ajudou a acabar com aquele fantasma. Já a jogada em que driblo quatro italianos e cuja sequência termina no gol do Carlos Alberto é a definição daquela Seleção Brasileira. Aquele lance inteiro é a pintura define o Brasil de 1970”.

Edu

A genialidade daquele time também pode ser compreendida pela presença de Edu, ex-ponta esquerda do Santos, no banco de reservas. Habilidoso, ele, que, com 16 anos, em 1966, esteve na Copa do Mundo da Inglaterra, atuou em parte da vitória canarinho, por 3 a 2, sobre a Romênia na fase de grupos do Mundial de 70.

Apesar de não estar em campo naquele 21 de junho, Edu garante que a exibição brasileira frente aos italianos e o apito final do árbitro alemão Rudi Glöckner estão entre as lembranças mais significativas da carreira. 

“A lembrança mais forte é a final contra a Itália, com a conquista do título, que foi incrível e até hoje é considerada a melhor seleção de todos os tempos. Apesar de não jogar muito, fazer parte do elenco foi sensacional. Na final não fui para o banco de reservas, porque só podia relacionar cinco atletas, então assisti da arquibancada. Quando acabou o jogo, corri para o vestiário para comemorar. Tudo isso, assim como o jogo em que entrei são as lembranças mais especiais”.

Edu também faz questão de ressaltar o carinho dos mexicanos para com a seleção brasileira. “O povo mexicano foi espetacular. Parecia que estávamos no Brasil. Lembro que quando chegamos em Guadalajara, no início da Copa, um grupo de torcedores colocou uma florzinha na lapela do nosso terno. Mudamos de cidade, mas, durante a competição, voltamos a Guadalajara e todos usamos a mesma florzinha. Isso representou muito para eles, que passaram a nos adorar”, relembra. 

Em forma de agradecimento, a CBF enviou, na sexta-feira, uma réplica da Taça Jules Rimet, de tamanho real, para todos os jogadores que participaram da conquista mais aclamada da história das copas.

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