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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Roberto Debski

Roberto Debski mora em Santos, é médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e psicólogo formado pela Universidade Católica de Santos. É especialista em acupuntura e homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pós graduado em Atenção Primária à Saúde e tem diversas formações em Práticas Integrativas e Complementares, Meditação, Constelações Familiares Sistêmicas, EMDR e Coaching. Com foco na saúde física, mental e Qualidade de Vida, estimula a mudança no comportamento, no estilo de vida e na consciência, a fim de melhorar os resultados dos tratamentos clínicos, dos relacionamentos interpessoais e do bem estar.

A importância do esporte na adolescência

Praticar atividades esportivas é fundamental em todas faixas etárias, e importantíssimo na adolescência. 

Fazer esportes melhora o condicionamento cardiorespiratório, aumenta o fôlego, aprimora a resistência física e mental, corrige a postura, socializa as pessoas, e no caso dos adolescentes auxilia a reduzir o estresse e equilibrar o emocional nessa fase de alterações hormonais, picos de crescimento e individuação da personalidade.

A partir da infância, e adequando a atividade para cada faixa etária, perfil motivacional, nível de condicionamento, condição de saúde e doenças pré existentes, biotipo, estado emocional e metas de performance, qualquer pessoa pode iniciar e manter um treinamento em qualquer esporte, desde que adequadamente orientados por um profissional da área de educação física, e após uma avaliação e liberação para a atividade por seu médico assistente.

Normalmente as pessoas não tem todas essas preocupações e os jovens acabam fazendo atividades esportivas sem maiores cuidados, o que pode ocasionar lesões que comprometam sua atividade esportiva para o restante de sua vida. 

A prevenção para uma vida saudável na fase adulta e na terceira idade já deve se iniciar na infância e adolescência. 

Assim, o jovem formará hábitos saudáveis que ajudarão a viver uma vida com saúde e qualidade de vida, e possivelmente o afastarão de hábitos nocivos como o fumo, álcool e drogas, já que o esporte não combina com essas adicções. 

Estudos demonstram que praticar atividades esportivas por pelo mais de 150 minutos semanais reduzem em cerca de 35% o risco de morte, e praticar por 150 minutos diminui o risco em 28%. 

Já realizar cerca de 75 minutos por semana reduz o risco de morte prematura em 22%.

A atividade física retarda o envelhecimento cerebral, durante e após o exercício produzimos substâncias e neurotransmissores protetores do cérebro como o BDNF, (Brain Derived Neurotrofic Factor ou Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro).

Acostumar-se a praticar esportes regularmente desde cedo e também manter bons hábitos de vida, priorizar uma vida ativa e saudável auxilia no tratamento e na cura da depressão, da ansiedade e do estresse.

Quando somos mais ativos nosso organismo produz neurotransmissores como a serotonina, endorfinas e encefalinas que melhoram os sintomas do estresse, ansiedade, depressão e fazem parte de um tratamento e abordagens integrativas, tão necessárias no complexo mundo atual.

Socialmente o adolescente se encontra em uma fase de vida de grandes mudanças, de descoberta do corpo e das emoções, da criação e fortalecimento de vínculos afetivos, da descoberta da sexualidade, da necessidade de afirmação e pertencimento aos grupos sociais. 

Ao frequentar grupos de jovens que priorizam o esporte e o bem estar, certamente esses vínculos serão formados, reforçando uma vida saudável, e estará mais afastado de grupos que não tem esse comportamento e que priorizam maus hábitos e comportamentos de risco.

Os estudos, especialmente para o vestibular, quando  se inicia a vida competitiva e a busca por resultados que teoricamente definirão perspectivas de vida profissional pode gerar alto nível de ansiedade e estresse entre os jovens.

O estresse agudo e crônico se mostra no dia a dia através de sintomas como taquicardia, alterações de sono, humor, vitalidade, libido, doenças infecciosas e pela própria redução do rendimento e aproveitamento nos estudos.

Quando esses sintomas aparecem é hora de mudar o esquema e fazer algo a respeito, como balancear as horas de estudo, lazer, esporte e sono porém o mais importante mesmo é trabalhar para prevenir que esses problemas apareçam.

A adolescência é uma época em que as mudanças de humor, possíveis conflitos na autoafirmação da identidade e na formação de vínculos de relacionamentos e amizades e autoconhecimento podem gerar conflitos e dificuldades nos relacionamentos com amigos e estresse diante de grandes desafios como o vestibular e as perspectivas da futura vida profissional.  

Não é saudável um estudante deixar de viver eventos sociais e atividades de lazer para ficar somente imerso nos estudos por um grande número de horas.

O volume de estresse sobre um vestibulando ou estudante de concurso é muito grande e vem da própria carga de estudos, associado à própria cobrança por resultados e pressão social.

Sendo assim utilizar uma parte se seu tempo para fazer atividade física regularmente, ter atividades sociais e de lazer contribuem para que o estudante se sinta melhor e mais fortalecido e capaz para estudar e aproveitar com resultados a dedicação de seu estudo.

Com o esporte os jovens aprendem a conviver socialmente com outros jovens, respeitar e cooperar, competir de maneira ética e saudável, priorizar um estilo de vida ativo e saudável, ampliar a resiliência ao aprender que há momentos de vitória mas também de derrota, aprendem a se dedicar e ter disciplina para obter resultados, fortalecer vínculos de amizade e convívio que podem perdurar por toda vida e atuar como rede de apoio nas fases de vida adulta e na velhice, dentre inúmeros outros aprendizados.

Os pais devem estimular seus filhos a praticarem esportes desde cedo, inclusive servindo como exemplos e modelos para eles. 

Os filhos aprendem muito mais com o exemplo do que com o discurso dos pais, e quando os pais mostram na vida diária os benefícios do esporte e inclusive participam junto aos filhos, o exemplo vivo fará grande diferença ao impactar as crianças e jovens a adotar esse estilo de vida ativo e saudável para suas vidas. 

A escola deve também priorizar o esporte em seu plano de ensino para os alunos. 

Deve oferecer alternativas de práticas esportivas que se adequem aos diversas preferências e sirvam de opção para que os alunos possam escolher dentre aquelas que mais se adaptem e apreciem. 

Devem ensinar que o esporte é competição mas também cooperação, fortalecendo a prática do esporte entre os alunos também como um caminho educativo para a vida e união entre a escola e as famílias.

Roberto Debski

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