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Sábado

23 de Março de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino, Alexandre Fernandes e Bruno Gutierrez. O quarteto traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Seria Mourinho o Luxemburgo da Europa?

Técnico português, amplamente reconhecido por grandes trabalhos na primeira década do século, parece ter entrado em queda livre na carreira

Um técnico bem sucedido, conhecido por grandes feitos. Teve a chance de treinar grandes clubes do continente, era classificado como o manager, o estrategista. Mas, de uns tempos para cá, seus trabalhos não são mais inspiradores, trazem junto uma carga alta de desconfiança e parece ter prazo de validade. Seria José Mourinho o Vanderlei Luxemburgo da Europa?

José Mário dos Santos Mourinho Félix, The Special One ou, simplesmente, José Mourinho. O português virou sensação ao ter uma passagem bem sucedida pelo Porto. Além do bicampeonato da Primeira Liga (2002/2003 e 2003/2004), da Taça de Portugal na temporada 2002/2003 e da Supertaça de Portugal, o treinador ficou mais famoso pelo sucesso continental.

Foram dois torneios. O primeiro, a Copa da Uefa (atual Liga Europa) em 2002/2003, a primeira da história do clube, após vencer o Celtic, da Escócia, na prorrogação, por 3 a 2, tendo eliminado o Lazio na semifinal. Mas, a conquista mais marcante foi a Liga dos Campeões da Europa da temporada 2003/2004, competição que os Dragões não venciam desde 1986/1987.

Para chegar ao título, Mourinho e seus comandados, passaram em segundo lugar em um grupo que tinha Real Madrid (ESP), Olympique (FRA) e Partizan Belgrado (SRB). Já no mata-mata, o Porto passou pelo maior campeão inglês, Manchester United, o então tricampeão consecutivo francês, Lyon, Deportivo La Coruña (ESP) e Monaco (FRA). 

Esse foi o início para uma carreira de brilhantismo no Chelsea, onde conquistou dois títulos ingleses na primeira passagem e pela Inter de Mião. Na Itália, além de bicampeão nacional, voltou a conquistar a Liga dos Campeões, em 2009/2010, incluindo a uma classificação heróica para a final após dar um nó tático em Josep Guardiola e o Barcelona, na semifinal.

Os dois títulos europeus qualificaram Mourinho para ir ao Real Madrid. O objetivo era claro: voltar a ser campeão europeu, competição que os Galáticos não venciam desde 2001/2002. Só que o português falhou. Em três anos na Espanha foram apenas uma La Liga, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha. As quedas no torneio europeu, sempre na semifinal, e o fraco desempenho em competições domésticas selaram o destino do Special One

Não mais tão Special assim, retornou ao Chelsea. Em 2 anos e meio, uma Primier League e uma Copa da Liga. Títulos internacionais, nem em sonho. Depois, pelo mesmo período no Manchester United, uma Liga Europa, que mascarou um mau futebol apresentado pelos Diabos Vermelhos durante este período.

Desde o Real Madrid, Mourinho tem ganho mais os notíciarios pelas brigas com outros técnicos, desavenças com o próprio elenco e pelos maus resultados. Falta destaque e brilho aos times do português. Em 6 anos, saiu do patamar de grande rival de Guardiola para um técnico no ostracismo. 

Os resultados do United sem Mourinho deixam claro como o treinador influenciava, negativamente, o elenco. Brigou com Pogba, não conseguia fazer estrelas como Alexis Sánchez e Lukaku renderem, o time não funcionava. Hoje, na mão de Ole Gunnar Solskjær, ídolo da história recente do clube, são quatro vitórias.

Mais do que isso, são quatro resultados convincentes, com Pogba comendo a bola e com Sánchez começando a ter protagonismo.

A era de Mourinho acabou para futebol? E a de Luxemburgo, no Brasil?

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