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Terça-feira

26 de Março de 2019

Resenha Esportiva

Espaço mantido pelos jornalistas Heitor Ornelas, Régis Querino, Alexandre Fernandes e Bruno Gutierrez. O quarteto traz informações e comentários sobre o Santos Futebol Clube e tudo mais que acontece no mundo do futebol.

Prefiro perder como Sampaoli a ganhar como Carille

Enquanto o argentino representa o que tínhamos de melhor, o brasileiro simboliza o que nos tornamos

Carille ou Sampaoli: quem dos dois você prefere? (Foto: Getty Images e Santos FC)

O Campeonato Paulista já teve clássicos este ano. Mas nenhum tão especial quanto o deste domingo, entre Corinthians e Santos, em Itaquera. Em termos de tabela, o duelo não decide muita coisa. Mas em matéria de conceitos e filosofias de jogo, não há nada melhor.

A partida vai opor dois estilos de jogo completamente distintos. Do lado santista, com Jorge Sampaoli, a busca incessante pelo gol, com marcação no campo de ataque e muita posse de bola. Do lado corintiano, sob a batuta de Fábio Carille, a defesa como prioridade, com paciência para esperar o adversário errar e ganhar  em uma ou duas oportunidades.

Ninguém é obrigado a gostar deste ou daquele estilo, e o que vale, no final das contas, é a vitória. Contudo, para mim e talvez para a maioria dos fãs de futebol, um jogo franco, repleto de chances e sempre sujeito a surpresas, é muito mais agradável. Sempre foi assim no Brasil, mesmo em momentos nos quais a safra de jogadores não era das melhores. De mais ou menos uma década para cá, porém, as coisas mudaram. A era mais vitoriosa do Corinthians, que teve Mano Menezes, Tite e Carille como mentores, todos especialistas em formar times cautelosos, que praticamente não erram e vivem de explorar as falhas adversárias, estabeleceu um novo padrão, seguido pela maioria. 

Por isso, a chegada de Sampaoli não foi boa apenas para o Santos. Foi, sem dúvida, a grande novidade do futebol brasileiro no ano – que está só começando, é verdade. Ao lado do Grêmio, o Santos  dá gosto de ver, mesmo quando não joga tão bem ou quando as vitórias não vêm. Com eles, não há tédio.

Se o Santos passar o ano em branco, sem conquistas, a impressão que vai ficar, até para o próprio torcedor santista, é a do fracasso. Já o corintiano vai ignorar o pragmatismo do time caso títulos sejam conquistados. Torcedor é torcedor. Mas se  a felicidade está na caminhada, e não no destino, que o futebol brasileiro seja coberto por uma onda de Sampaolis. Pro dia nascer feliz.

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